A 4ª Vara Criminal de Campo Grande realizou nesta sexta-feira (8) a primeira audiência de instrução da quarta fase da Operação Successione, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que apura um suposto esquema de exploração do jogo do bicho, lavagem de dinheiro e corrupção em Mato Grosso do Sul.
A audiência ocorreu no auditório Desembargador Assis Pereira da Rosa, no Fórum de Campo Grande, sob sigilo e com acesso restrito apenas às partes envolvidas no processo. Réus apontados como integrantes da organização investigada participaram presencialmente, enquanto outros investigados e testemunhas acompanharam os depoimentos por videoconferência.
Entre os presentes estavam o advogado Rhiad Abdulahad, Jonathan Gimenez Grance — apontado como primo do narcotraficante Jarvis Pavão — e Marco Aurélio Horta, ex-chefe de gabinete do deputado estadual Neno Razuk à época da deflagração da operação. Os três seguem como réus no processo relacionado ao esquema de exploração do jogo do bicho.
A audiência marca o início da fase de instrução criminal da ação penal aberta após a quarta etapa da Operação Successione, deflagrada em novembro do ano passado. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual, o grupo investigado seria responsável pela atuação de uma estrutura voltada à exploração ilegal de apostas, além de movimentações financeiras suspeitas e supostos pagamentos ilícitos.
Em decisão anterior, o juiz José Henrique Kaster Franco manteve as prisões preventivas de investigados apontados como integrantes do chamado “núcleo de liderança” da organização. Conforme o magistrado, Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk exerciam funções centrais dentro do grupo investigado.
O advogado Rhiad Abdulahad também permaneceu preso preventivamente. De acordo com as investigações, ele faria parte do núcleo financeiro da organização, sendo responsável pela movimentação de ativos ligados ao esquema.
Parte dos denunciados, no entanto, teve a prisão substituída por medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico à Justiça e recolhimento domiciliar noturno.
As defesas contestam as acusações e alegam irregularidades na obtenção de provas digitais utilizadas na investigação. Os advogados também sustentam que conversas anexadas ao processo teriam sido interpretadas fora de contexto. No caso de Rhiad Abdulahad, a defesa afirma que parte dos diálogos citados ocorreu no exercício da atividade advocatícia.
O deputado estadual Neno Razuk responde no processo por acusação de lavagem de capitais. Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que o suposto crime não possui relação direta com o exercício do mandato parlamentar, afastando a aplicação de foro especial.
