Um bebê indígena de apenas 48 dias morreu em decorrência da chikungunya em Dourados, marcando a décima morte confirmada pela doença no município. A confirmação foi feita pelo COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), criado pela prefeitura para coordenar as ações de enfrentamento da epidemia tanto na Reserva Indígena quanto na área urbana da cidade.
Moradora da Aldeia Bororó, a criança estava internada no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) desde o dia 3 de maio, após ser encaminhada por equipes de saúde que atuam na reserva.
A Reserva Indígena de Dourados concentra a maior parte das mortes registradas pela doença. Entre fevereiro e abril deste ano, oito moradores da comunidade indígena morreram vítimas da chikungunya — homens de 73, 77, 55 e 29 anos, mulheres de 60 e 69 anos, além de dois bebês de 1 e 3 meses. Na área urbana, também foi registrada a morte de um homem de 63 anos.
Além dos dez óbitos confirmados, outras três mortes seguem sob investigação: a de uma criança indígena de 12 anos, um idoso de 84 anos com doença arterial coronariana e um homem de 50 anos sem comorbidades relatadas.
A confirmação anterior havia sido a morte de um indígena de 29 anos, morador da Aldeia Bororó. Ele apresentou os primeiros sintomas no dia 19 de abril, foi internado no Hospital da Vida e morreu seis dias depois, em decorrência de complicações causadas pela doença.
Avanço da epidemia
De acordo com boletim epidemiológico divulgado nesta sexta-feira (8), a Reserva Indígena de Dourados já soma 3.199 notificações de chikungunya. Desse total, 2.475 são considerados casos prováveis, 2.088 foram confirmados, 724 descartados e 387 permanecem em investigação.
Em todo o município, os números chegam a 8.149 notificações, com 5.350 casos prováveis, 3.340 confirmações, 2.799 descartes e 2.010 investigações em andamento.
Atualmente, 35 pacientes estão internados por causa da doença em Dourados. Destes, 19 permanecem no Hospital Universitário da UFGD, sete no Hospital Regional e os demais em outras unidades de saúde da cidade.
O relatório epidemiológico também aponta que a taxa de positividade da chikungunya no município permanece entre 54% e 61% nos últimos 15 dias, índice considerado elevado e que demonstra intensa circulação do vírus.
O documento destaca ainda que, a partir da semana epidemiológica 13, os casos passaram a atingir principalmente moradores não indígenas e regiões urbanas, indicando a expansão da epidemia para além da reserva.
Secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo alertou para a gravidade do cenário e reforçou a necessidade de participação da população no combate aos focos do mosquito Aedes aegypti. “Combater os focos do mosquito Aedes aegypti não é obrigação exclusiva da prefeitura e sim de toda população”, afirmou.
