A superlotação no pronto-socorro da Santa Casa de Campo Grande tem levado à utilização de macas de ambulâncias como leitos improvisados para pacientes que aguardam atendimento ou internação. A informação foi detalhada pelo médico-coordenador do pronto-socorro, Marcos Bonilha, ao relatar que a demanda da unidade ultrapassa há tempos a capacidade estrutural do hospital.
Segundo ele, a quantidade de pacientes atendidos diariamente supera o número de vagas disponíveis, obrigando a permanência de pessoas nas próprias macas em que chegam ao hospital. “A Santa Casa recebe uma demanda muito maior do que consegue suportar. Muitas vezes não temos onde acomodar o paciente e a maca de transporte acaba virando leito dentro do hospital”, afirmou.
O coordenador explicou que o problema envolve equipamentos de diferentes serviços de remoção e resgate, como Corpo de Bombeiros, empresas particulares, ambulâncias do interior e do transporte público de saúde. De acordo com ele, quando o hospital atinge o limite de ocupação, os pacientes permanecem nas estruturas usadas para o transporte até que surja vaga em algum setor.
Bonilha alertou ainda para os riscos provocados pelo uso prolongado dessas macas, que não foram projetadas para internação. Conforme o médico, os equipamentos possuem menor estabilidade e oferecem riscos à segurança dos pacientes. “Não é um local adequado para permanência. A estrutura é limitada e não deveria ser utilizada dessa forma”, ressaltou.
Atualmente, o pronto-socorro chega a registrar entre 20 e 40 macas de ambulâncias ocupadas simultaneamente. Em alguns períodos, o setor abriga cerca de 80 pacientes, apesar de possuir apenas 13 pontos de cuidado oficialmente estruturados, sendo seis na área vermelha e sete na área verde.
O médico também destacou o desgaste acelerado das macas pertencentes ao próprio hospital. Mesmo após a aquisição recente de 30 novas unidades por meio de emenda parlamentar, os equipamentos apresentam danos frequentes devido ao uso contínuo e intenso. “As macas quebram em uma velocidade maior do que conseguimos repor”, lamentou.
Segundo Bonilha, o pronto-socorro acabou se transformando em área de internação improvisada por falta de vagas em enfermarias e UTIs. Pacientes graves permanecem por horas — e, em alguns casos, por até 24 horas — aguardando transferência para setores adequados.
A unidade é referência em alta complexidade e recebe pacientes graves encaminhados por UPAs, CRS e hospitais menores de diversas cidades do Estado. Casos de AVC, infarto, acidentes graves e outras ocorrências de alta complexidade são direcionados ao hospital, o que contribui para a sobrecarga constante.
De acordo com o coordenador, diariamente cerca de 30 a 40 pacientes aguardam vagas em enfermarias, enquanto outros 10 a 12 permanecem na sala de emergência esperando transferência para UTIs. Apesar da situação, ele afirma que o hospital mantém equipes e protocolos assistenciais para garantir atendimento aos pacientes, ainda que em espaços improvisados.
Bonilha também relatou desgaste contínuo dos equipamentos hospitalares, que permanecem ligados sem interrupção devido ao fluxo intenso de atendimentos. “Os aparelhos praticamente não desligam. Assim que um paciente sai, o espaço é higienizado e imediatamente ocupado por outro”, afirmou.

