Durante visita a Três Lagoas nesta quinta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou oficialmente a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), empreendimento que estava paralisado há mais de uma década. Além do relançamento da fábrica, a Petrobras anunciou a abertura de 1,4 mil vagas em cursos de qualificação profissional voltados à população local.
A retomada da UFN3 representa uma das principais apostas do governo federal para reduzir a dependência brasileira da importação de fertilizantes, especialmente de países afetados por conflitos geopolíticos, como Rússia e Ucrânia.
Durante o evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou o programa “Autonomia e Renda Três Lagoas”, aprovado pela diretoria da estatal na noite de quarta-feira (24). A iniciativa oferecerá 1,4 mil vagas em cursos de formação e qualificação profissional em parceria com o Sesi, Senai e Institutos Federais.
Segundo a empresa, o programa integra um pacote de investimentos sociais e ambientais que prevê a aplicação de R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul até 2030.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, destacou que o Brasil ainda importa cerca de 80% dos fertilizantes consumidos no país, o que reforça a importância estratégica da conclusão da unidade.
Quando entrar em operação, a UFN3 terá capacidade para produzir aproximadamente 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, volume suficiente para atender cerca de 15% da demanda nacional por ureia.
A expectativa é que a obra gere aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos durante sua execução. O cronograma oficial prevê a entrega da planta em 2029, mas Magda Chambriard lançou o desafio para que a conclusão ocorra até junho de 2028.
Críticas à paralisação
Em seu discurso, Lula criticou o fato de a fábrica ter permanecido parada por mais de 12 anos, mesmo estando com cerca de 85% da estrutura concluída.
“Você tem quase 85% da estrutura de uma obra como essa e, de repente, para. Fica 12 anos parada e o Brasil pagando preços absurdos de fertilizantes que poderiam ser produzidos aqui”, afirmou o presidente.
Segundo Lula, a dependência externa acaba elevando os custos da produção agrícola nacional e impacta diretamente o preço dos alimentos consumidos pelos brasileiros.
Uma novela de mais de uma década
Iniciada em 2011, a UFN3 transformou-se em um dos maiores símbolos de obras inacabadas do país. O projeto chegou a alcançar cerca de 81% de execução antes de ser interrompido em 2014, após integrantes do consórcio responsável pelas obras serem citados em investigações de corrupção.
Nos anos seguintes, a Petrobras tentou diversas vezes vender o empreendimento. Negociações envolvendo a empresa russa Acron avançaram em diferentes momentos entre 2018 e 2022, mas nunca foram concluídas.
Em fevereiro de 2023, a estatal encerrou definitivamente o processo de venda da unidade, abrindo caminho para a retomada das obras. Com isso, a conclusão da fábrica ocorrerá mais de 16 anos após o início do projeto, encerrando uma longa sequência de paralisações, promessas e adiamentos.

