Carne bovina, ferro-gusa e celulose, que concentram a maior parte das vendas sul-mato-grossenses para o mercado norte-americano, ficaram fora da nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A medida foi divulgada pelo governo norte-americano após uma investigação comercial que apontou supostas práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. No entanto, o documento oficial prevê uma série de exceções, beneficiando setores estratégicos para a economia de Mato Grosso do Sul.
Entre os produtos preservados da sobretaxa estão itens enquadrados como alimentos e matérias-primas essenciais para a indústria norte-americana. Dessa forma, mais de 95% das exportações do Estado destinadas aos Estados Unidos permanecem sem impacto direto da nova política tarifária.
De acordo com dados da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), entre janeiro e abril deste ano o Estado exportou aproximadamente R$ 1,45 bilhão para os EUA, segundo principal destino dos produtos sul-mato-grossenses, atrás apenas da China.
A carne bovina congelada lidera as vendas para o mercado norte-americano e representa cerca de metade das exportações estaduais para aquele país. O produto gerou receita de aproximadamente R$ 731 milhões no período e foi incluído entre os itens isentos da nova taxação.
O ferro-gusa aparece na sequência, com participação de 24,8% nas exportações sul-mato-grossenses para os Estados Unidos. O produto movimentou cerca de R$ 359,4 milhões nos primeiros quatro meses do ano e também ficou fora da lista de produtos tarifados.
Já a celulose, responsável por 14,7% das vendas do Estado aos norte-americanos, somou R$ 212,8 milhões em exportações e igualmente não será atingida pela medida.
Outros itens relevantes da pauta exportadora de Mato Grosso do Sul que permaneceram livres da sobretaxa são a carne bovina refrigerada, a carne salgada ou defumada e os filés de tilápia.
Em 2025, os Estados Unidos importaram cerca de R$ 2,7 bilhões em produtos sul-mato-grossenses.
Etanol segue como ponto de atenção
Embora os principais produtos exportados pelo Estado tenham sido poupados, o setor de etanol continua no centro das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
A justificativa apresentada pelo governo norte-americano menciona barreiras consideradas desfavoráveis ao comércio bilateral. Um dos principais pontos envolve a diferença de tarifas aplicadas ao etanol. Atualmente, o Brasil cobra 18% sobre o combustível importado dos EUA, enquanto o etanol brasileiro entra no mercado norte-americano com tarifa de 2,5%.
Especialistas apontam que a expansão da produção de etanol em estados como Mato Grosso do Sul aumentou a competitividade brasileira no mercado internacional, ampliando a disputa com os produtores norte-americanos.
Para o mercado interno, no entanto, a disputa comercial pode gerar efeitos positivos. Com eventual redução das exportações, parte da produção poderia ser direcionada ao consumo doméstico, aumentando a oferta e favorecendo a competitividade do etanol frente à gasolina.
Apesar das incertezas, representantes do setor afirmam que não há previsão de aumento imediato nos preços dos combustíveis. O impacto dependerá da forma como a nova tarifa será aplicada e dos desdobramentos das negociações entre os dois países.

