Mesmo antes do período mais crítico de calor e estiagem, o Pantanal de Mato Grosso do Sul já enfrenta um avanço expressivo dos incêndios florestais. A combinação de ausência de chuvas, baixa umidade relativa do ar e ventos intensos elevou significativamente o risco de queimadas no bioma.
Levantamento elaborado pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) em conjunto com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul aponta que, entre 1º de janeiro e 15 de julho de 2026, a área atingida pelo fogo no Pantanal chegou a 58.878 hectares. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 6.762 hectares queimados, o que representa um aumento de 770,7%.
O número de focos de calor também cresceu de forma expressiva. Foram contabilizados 149 registros neste ano, contra 69 no mesmo intervalo de 2025, alta de 115,9%.
A previsão meteorológica indica que o cenário deve permanecer desfavorável nos próximos dias. O tempo seguirá firme, com predomínio de sol, temperaturas entre 25°C e 38°C e umidade relativa do ar variando entre 10% e 30%, índices considerados críticos tanto para a saúde quanto para a vegetação.
Outro fator que preocupa é a atuação dos ventos. Alertas meteorológicos indicam risco de vendavais, com rajadas que podem alcançar 100 km/h, favorecendo a rápida propagação das chamas. Além disso, permanece em vigor o alerta para baixa umidade em Mato Grosso do Sul.
Risco elevado para os próximos meses
A previsão sazonal para agosto, setembro e outubro aponta que grande parte do território sul-mato-grossense apresenta risco de incêndios entre os níveis de atenção e alerta. As regiões pantaneira, norte e nordeste concentram os maiores índices de perigo, enquanto apenas nove dos 79 municípios do Estado permanecem na faixa de observação.
Desde o início do ano, o Corpo de Bombeiros mantém equipes mobilizadas para ações de prevenção, preparação e combate aos incêndios florestais. Ao todo, 402 militares já participaram das operações nas áreas mais vulneráveis.
Cerrado e Mata Atlântica apresentam redução
Enquanto o Pantanal registra forte avanço das queimadas, os demais biomas de Mato Grosso do Sul apresentam comportamento oposto.
No Cerrado, a área queimada caiu de 24.783 hectares em 2025 para 14.615 hectares em 2026, redução de 69,9%. Os focos de calor também diminuíram 44,5%.
Na Mata Atlântica, a área atingida pelo fogo passou de 2.450 para 2.173 hectares, queda de 12,7%. Já os focos de calor recuaram 44,7%, passando de 85 para 47 registros no período analisado.
