Mato Grosso do Sul permanece entre os estados com os maiores índices de violência sexual do Brasil, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23). Embora tenha registrado redução no número de ocorrências em relação ao ano anterior, o Estado ainda ocupa a quarta colocação nacional na taxa de estupros contra mulheres.
Foram contabilizados 2.105 casos de estupro de mulheres em 2025, o equivalente a uma taxa de 142,6 ocorrências para cada 100 mil mulheres. O número representa queda de 10,5% na comparação com 2024, mas mantém Mato Grosso do Sul entre os estados com os indicadores mais elevados do País. À frente aparecem Roraima (220,1), Acre (172,5) e Rondônia (165,6), enquanto o Amapá completa o grupo das maiores taxas.
Quando considerados apenas os casos envolvendo vítimas com mais de 14 anos, o Estado registrou aumento de 2,3%, passando de 388 ocorrências em 2024 para 400 em 2025.
Já os registros de estupro de vulnerável — crime cometido contra menores de 14 anos — apresentaram redução de 11%, passando de 2.146 para 1.924 casos. Apesar da queda, Mato Grosso do Sul continua com a quinta maior taxa do Brasil nessa modalidade, com 79,5 casos por 100 mil habitantes, atrás de Roraima, Rondônia, Acre e Amapá.
O levantamento aponta que os estados com maiores índices de violência sexual compartilham características territoriais e socioeconômicas. Com exceção de Mato Grosso do Sul, todos os demais estados com as maiores taxas fazem parte da Amazônia Legal. Entre os fatores apontados estão a expansão de atividades extrativistas e agropecuárias, a presença de extensas áreas rurais, populações indígenas, fronteiras internacionais e atuação de organizações criminosas.
No cenário municipal, Dourados aparece em destaque ao ocupar a sexta posição nacional entre as cidades com maior taxa de estupro de vulnerável em 2025, registrando 84,8 casos para cada 100 mil habitantes.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, muitos dos municípios com maiores índices estão localizados em regiões marcadas por intensa circulação de pessoas, expansão da fronteira agrícola, atividades de mineração e presença de comunidades indígenas em situação de vulnerabilidade. Esses fatores, de acordo com a entidade, ajudam a compreender o contexto em que a violência ocorre, embora não expliquem isoladamente os números registrados.
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que Mato Grosso do Sul contabilizou 27.214 registros de estupro entre 2016 e 22 de julho de 2026. Desse total, 13.564 tiveram como vítimas crianças, o que representa praticamente metade das ocorrências.
As vítimas adolescentes, entre 12 e 17 anos, somam mais de 9,1 mil registros no período. Juntas, crianças e adolescentes correspondem a aproximadamente 80% dos casos de violência sexual registrados no Estado. As demais ocorrências envolvem jovens de 18 a 29 anos, adultos de 30 a 59 anos, idosos e vítimas cuja idade não foi informada.
Cenário nacional
Em todo o Brasil, foram registrados 84.388 casos de estupro em 2025, uma redução de 5,4% em relação ao ano anterior, representando a primeira queda desde o período da pandemia.
O Anuário ressalta, porém, que a diminuição dos registros não significa necessariamente redução da violência sexual. Segundo o estudo, crimes dessa natureza apresentam elevada subnotificação, e números menores podem refletir dificuldades para denunciar, barreiras de acesso aos serviços de proteção e menor confiança das vítimas nas instituições responsáveis pelo atendimento.
O levantamento também mostra que quase nove em cada dez vítimas de estupro registradas no País eram meninas ou mulheres. Além disso, crianças e adolescentes concentraram 77% de todos os casos, com 19.398 registros de estupro e 64.990 de estupro de vulnerável em 2025.

