Uma mulher de 25 anos foi presa em Dourados suspeita de atuar na movimentação do dinheiro obtido por um esquema de extorsão contra clientes de sites de acompanhantes. Segundo a Polícia Civil, as vítimas recebiam ameaças de criminosos que se apresentavam como integrantes de facções e exigiam transferências por Pix.
Letícia Rosa Vicentin foi presa temporariamente por policiais da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf).
As investigações começaram depois que dezenas de homens procuraram delegacias de Dourados relatando chantagens após acessarem anúncios de acompanhantes na plataforma HotMS.
De acordo com a polícia, após o contato com os anúncios, as vítimas começavam a receber mensagens de números desconhecidos. Os criminosos alegavam que o cliente teria causado prejuízo a uma acompanhante ou ao suposto responsável pelos anúncios.
Na sequência, vinham as ameaças contra os homens e também contra seus familiares. Para reforçar a intimidação, os golpistas afirmavam pertencer ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou ao Comando Vermelho e exigiam pagamentos imediatos.
A polícia passou a tratar a prática como o “Golpe do Falso Cafetão Faccionado”.
Contas bancárias na mira
Durante as apurações, investigadores encontraram indícios de que contas bancárias de terceiros eram usadas para receber e movimentar os valores pagos pelas vítimas.
Segundo a Derf, Letícia é investigada por possível participação justamente no núcleo financeiro do esquema. Ela também seria responsável por recrutar pessoas dispostas a disponibilizar contas para o recebimento do dinheiro.
A Polícia Civil apura ainda a possível participação de uma pessoa presa no sistema penitenciário. A identidade não foi divulgada.
Site também é investigado
A repetição de ocorrências envolvendo usuários da plataforma HotMS levou a polícia a ampliar a investigação.
Um dos pontos que os investigadores tentam esclarecer é como os criminosos teriam acesso às informações de homens que entravam em contato com acompanhantes anunciadas no site.
A Derf afirma que tentou contato em mais de uma ocasião com o canal administrativo da plataforma para solicitar informações e colaboração, mas, segundo a polícia, não houve resposta até o momento.
A orientação é que vítimas não façam qualquer pagamento diante de ameaças ou cobranças suspeitas. A recomendação é interromper o contato e procurar imediatamente a Polícia Civil, mesmo quando os autores afirmarem ter ligação com cafetões, PCC, Comando Vermelho ou qualquer outra organização criminosa.
