
Paraguai apreendeu mais de 1,2 tonelada da droga de alto valor; carregamentos vindos dos Estados Unidos tinham o mercado brasileiro como principal destino
O avanço de uma modalidade mais cara e potente de maconha colocou as rotas internacionais do narcotráfico entre Paraguai e Brasil no centro de uma ofensiva da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Nos últimos meses, as autoridades paraguaias apreenderam 1.218 quilos de “maconha premium”, avaliados em mais de US$ 17 milhões no mercado ilegal.
As operações revelaram uma mudança na logística do tráfico. Parte dos carregamentos chegou ao Paraguai vinda dos Estados Unidos, por aviões, encomendas internacionais e veículos importados, antes de seguir em direção ao mercado brasileiro.
Segundo a Senad, a chamada maconha premium reúne variedades com maior concentração de THC, genética selecionada e valor comercial muito superior ao da maconha convencional. No Brasil, o preço pode chegar a US$ 14 mil por quilo.
Jato com 261 quilos
Um dos casos de maior repercussão ocorreu com a interceptação de um jato procedente de Miami, que havia feito escala no Panamá antes de pousar no Paraguai.
Dentro da aeronave, agentes encontraram 261,6 quilos de maconha premium. O carregamento foi avaliado em aproximadamente US$ 3,6 milhões. Três cidadãos norte-americanos foram detidos no procedimento, segundo balanço divulgado pelo governo paraguaio.
O caso chamou atenção não apenas pelo volume da droga, mas pela estrutura utilizada: uma aeronave executiva e uma operação logística internacional para abastecer o mercado sul-americano.
Droga escondida como obra de arte
Dias depois, a operação Air Box descobriu outro esquema.
Agentes localizaram 147,4 quilos de derivados de maconha escondidos dentro de caixas enviadas da Califórnia e declaradas como se transportassem obras de arte.
A investigação apontou o Brasil como destino final da carga. O Ministério Público paraguaio denunciou três pessoas por crimes relacionados ao tráfico internacional e cultivo de drogas.
Informações divulgadas durante a investigação indicaram ainda que a droga seguiria para Capitán Bado, cidade paraguaia situada na faixa de fronteira com Mato Grosso do Sul, antes de entrar no território brasileiro.
Fronteira vira peça-chave
Outra apreensão reforçou a preocupação com os corredores terrestres. Nas proximidades da Ponte da Integração, entre Paraguai e Brasil, autoridades encontraram 304 quilos da droga escondidos em um fundo falso de veículo.
A apreensão ocorreu em 19 de agosto e foi apontada pelas autoridades paraguaias como a primeira tentativa identificada de utilização da nova ligação internacional para transportar drogas desse tipo.
No Puerto Terport, em Villeta, outros 311 quilos foram encontrados escondidos em veículos importados dos Estados Unidos.
Nova lógica do narcotráfico
O conjunto das apreensões mostra que o Paraguai, tradicionalmente identificado como grande produtor de maconha destinada ao Brasil, passou também a funcionar como corredor para cannabis de alto valor produzida ou processada em outros países.
A mudança aumenta a importância das ações de inteligência em aeroportos, portos, terminais de cargas e regiões fronteiriças.
Para Mato Grosso do Sul, o cenário merece atenção especial pela extensa fronteira com o Paraguai e pela proximidade de municípios paraguaios tradicionalmente utilizados em corredores do tráfico, como Capitán Bado.
A Senad afirma que pretende intensificar a fiscalização e o intercâmbio de informações para identificar as novas rotas antes que os carregamentos alcancem o mercado brasileiro

