Presos apontados como responsáveis por uma comemoração alusiva aos 33 anos do Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande foram transferidos após uma operação de fiscalização realizada pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen-MS).
A medida foi adotada depois que vídeos gravados pelos próprios detentos passaram a circular mostrando presos reunidos em torno de uma mesa onde aparece uma substância semelhante à cocaína. Nas gravações, integrantes também fazem referências à facção criminosa e comemoram o aniversário da organização.
Segundo a Agepen, as imagens foram analisadas e permitiram a identificação dos internos que teriam participado diretamente da comemoração. A agência realizou um pente-fino na unidade prisional e determinou a transferência dos envolvidos.
A administração penitenciária não informou quantos presos foram transferidos nem divulgou os nomes dos detentos. De acordo com o órgão, essas informações são mantidas sob sigilo por razões de segurança.
Entrada por drones
A Agepen informou ainda que a principal suspeita é de que os entorpecentes tenham entrado no presídio por meio de arremessos realizados com drones.
Entre os dias 25 e 29 de agosto, conforme a agência, equipes da Polícia Penal e da Força Penal Nacional interceptaram 13 tentativas de entrega de materiais por drones na unidade de segurança máxima.
Apesar do reforço na fiscalização, parte do material teria conseguido chegar ao interior do estabelecimento penal. Os vídeos mostram presos exibindo a substância durante a confraternização.
Após a identificação dos participantes, os internos também passaram a responder a Procedimento Administrativo Disciplinar do Interno (Padic).
Em nota, a Agepen destacou que manifestações coletivas de apoio ou referência a organizações criminosas podem ser enquadradas como falta disciplinar grave, conforme previsto na Lei de Execução Penal.
Dependendo da conduta identificada durante a apuração, os envolvidos também poderão ser responsabilizados criminalmente com base no Código Penal e na legislação que trata das organizações criminosas.
Vídeos mostram comemoração
Nas gravações, presos aparecem reunidos enquanto um deles agradece a participação dos demais e menciona o aniversário de 33 anos do PCC. Em outro trecho, um detento classifica o Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande como uma das principais bases da facção em Mato Grosso do Sul.
“Aniversário do comando, 33 anos. Mato Grosso do Sul, Máxima em Campo Grande, maior sede do PCC dentro do estado de MS”, afirma um dos presos durante a gravação.
A identidade do homem que aparece falando no vídeo não foi divulgada.
Origem da facção
O PCC foi criado em 31 de agosto de 1993 no sistema penitenciário paulista. A versão mais difundida sobre a origem do grupo aponta que oito detentos teriam formado a organização durante uma partida de futebol na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, conhecida como Piranhão.
Os presos haviam sido transferidos para a unidade após episódios de indisciplina e passaram a utilizar inicialmente o nome Comando da Capital.
Nos primeiros anos, integrantes afirmavam que a organização havia surgido como reação às condições do sistema penitenciário paulista e em referência à morte de 111 presos no episódio conhecido como Massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992.
Registros de comemorações relacionadas ao aniversário da facção dentro de presídios de Mato Grosso do Sul já ocorreram em anos anteriores. A nova ocorrência agora é alvo de apuração administrativa e disciplinar pela Agepen.
