Sete mulheres foram assassinadas em apenas 31 dias; Estado chegou a 25 vítimas de feminicídio em 2026
Mato Grosso do Sul encerrou agosto com um dado alarmante: sete mulheres foram vítimas de feminicídio em apenas um mês, fazendo de agosto de 2026 o período mais violento da série histórica iniciada após a tipificação do crime, em 2015.
Os números mostram uma escalada preocupante justamente durante o Agosto Lilás, campanha dedicada à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Até então, o pior resultado para agosto havia sido registrado em 2021, quando cinco mulheres foram mortas em crimes classificados como feminicídio. Neste ano, o total chegou a sete casos em 31 dias.
A comparação com anos anteriores reforça a gravidade do cenário. Agosto teve quatro feminicídios em 2016 e 2017, um em 2018, dois em 2019, três em 2020, cinco em 2021, dois em 2022, três em 2023, um em 2024 e três em 2025. Agora, 2026 passa a ocupar o topo da série.
Sete mulheres mortas em um mês
A sequência de crimes começou logo nos primeiros dias de agosto e atingiu diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.
Em Dourados, Rose Batista Cabreira, de 41 anos, foi uma das vítimas. Dias depois, Adriana Barrios, de 22 anos, foi assassinada em Paranhos.
Em Rio Verde de Mato Grosso, Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, também entrou para a estatística do mês.
Campo Grande registrou dois casos durante agosto, entre eles o assassinato de Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, além da morte de uma mulher de 34 anos encontrada dentro de casa no fim do mês.
Em Costa Rica, Fátima Alves de Matos, de 54 anos, morreu após sofrer agressões. Já em Aquidauana, Marta Florentino Godoi, de 40 anos, foi assassinada em outro episódio investigado como feminicídio.
Estado chega a 25 vítimas em 2026
Com os casos contabilizados até o fim de agosto, Mato Grosso do Sul chegou a 25 vítimas de feminicídio neste ano.
Campo Grande concentra o maior número de ocorrências, enquanto outros municípios também aparecem no levantamento, revelando que a violência contra a mulher se espalha por diferentes regiões do Estado.
O dado preocupa ainda mais porque 2026 ainda não terminou. Restam quatro meses para o encerramento do ano, o que mantém as autoridades em alerta diante da possibilidade de novos casos.
Violência dentro de casa
Grande parte dos feminicídios registrados no Estado ocorre em ambiente doméstico e envolve companheiros, ex-companheiros ou homens que mantinham algum tipo de relação afetiva com as vítimas.
Em vários casos, as mortes aconteceram após brigas, histórico de violência doméstica ou durante processos de separação.
O avanço dos números expõe novamente um dos principais desafios enfrentados por Mato Grosso do Sul na área de segurança pública: impedir que ameaças, agressões e episódios anteriores de violência evoluam para assassinatos.
O recorde registrado em agosto deixa uma marca especialmente dura por coincidir justamente com o mês dedicado à conscientização sobre a violência contra as mulheres.
Fonte: Primeira Página MS
