A BR-163 já registra 38 mortes em Mato Grosso do Sul em 2026, oito a mais que no mesmo período do ano passado. Os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) consideram ocorrências entre 1º de janeiro e 20 de agosto.
Neste ano, foram contabilizados 497 acidentes, sendo 130 graves. O número de feridos também aumentou, passando de 508 em 2025 para 534 em 2026.
O crescimento da violência no trânsito ocorre justamente no momento em que as tarifas das nove praças de pedágio da rodovia ficaram cerca de 40% mais caras.
Desde 5 de agosto, um automóvel de passeio passou a gastar aproximadamente R$ 107 para percorrer os 845 quilômetros concedidos da BR-163 dentro de Mato Grosso do Sul. Antes, o custo era de R$ 76,10.
Para caminhões de oito eixos, a travessia passou a custar cerca de R$ 856.
O reajuste médio de 40,49% foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e inclui correção tarifária de 5,16% e um chamado degrau tarifário de 33,64%.
O aumento ficou muito acima da inflação acumulada em 12 meses, de 4,64% pelo IPCA.
Acidentes voltam a pressionar debate sobre segurança
Entre 16 e 20 de agosto, dois acidentes graves deixaram seis mortos e seis feridos na BR-163.
O mais grave ocorreu em Bandeirantes, onde cinco pessoas morreram após uma sequência de colisões envolvendo duas carretas e três carros.
Quatro vítimas estavam no mesmo Toyota Etios: Sérgio Doná, José Doná, Natalina Petrelini Doná Marques e Ana Maria Doná Marques. O motorista de um Chevrolet Onix, Valderlanio Daniel, de 49 anos, também morreu.
Quatro dias depois, outro motorista morreu em colisão frontal entre uma Chevrolet Spin e uma carreta no km 471, em Campo Grande, próximo ao acesso à região das Moreninhas.
Os acidentes reacendem a discussão sobre a duplicação da BR-163.
A concessionária Motiva Pantanal informa que o novo contrato prevê mais de R$ 9,3 bilhões em investimentos ao longo de 29 anos. Parte das obras de duplicação deverá ser executada nos primeiros sete anos da concessão, até 2033.
Enquanto as intervenções não avançam, a combinação entre aumento das mortes, trechos de pista simples e pedágio mais caro mantém a BR-163 no centro do debate sobre segurança e custo para quem utiliza a principal rodovia federal de Mato Grosso do Sul.
