Uma indústria de Dourados administrada pelo empresário César Cirne Leal teria sido utilizada como destino fictício de mais de 10,8 milhões de litros de metanol desviados para um esquema de adulteração de combustíveis investigado pela Operação Carbono Ocult
Segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), César e outras 15 pessoas são acusados de integrar uma organização criminosa que teria atuado entre 2017 e 2025.
A investigação aponta que a Oreonn Indústria e Comércio de Óleos Vegetais e Químicas Ltda. aparecia nas notas fiscais como compradora do metanol, mas a maior parte das cargas não teria chegado a Mato Grosso do Sul.
Entre janeiro e agosto de 2025, a filial de Dourados registrou a compra de 10.827.108 litros do produto. A Sefaz-MS analisou 153 documentos fiscais e constatou que apenas duas cargas tinham registro automático de passagem que indicaria entrada no Estado.
Para o MPSP, os dados reforçam a suspeita de que a maioria dos carregamentos foi desviada para outros destinos, principalmente em São Paulo, onde o metanol teria sido utilizado na adulteração de gasolina.
A denúncia também relaciona César a R$ 291,7 milhões em movimentações financeiras da Oreonn consideradas suspeitas pelos investigadores. O valor corresponde às operações da empresa e não significa que o empresário tenha recebido pessoalmente essa quantia.
Em fiscalização realizada pela ANP e pela Polícia Federal em outubro de 2025, foram encontrados tanques que teriam sido usados anteriormente para armazenar metanol. Na ocasião, porém, não havia produto nos reservatórios.
César Cirne Leal foi denunciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e a denúncia do Ministério Público não representa condenação.
