Funcionários de empresa terceirizada suspenderam atividades no Projeto Sucuriú, em Inocência, durante negociações por reajuste salarial, benefícios e melhores condições de trabalho
Uma paralisação de trabalhadores ligados às obras do Projeto Sucuriú, megafábrica de celulose da Arauco em construção em Inocência, colocou novamente as relações trabalhistas no centro das atenções de um dos maiores empreendimentos privados em implantação em Mato Grosso do Sul.
O movimento começou nesta terça-feira (1º) e envolve funcionários da Opus Construtech, empresa terceirizada que atua no empreendimento. A mobilização coincide com a data-base da categoria e ocorre em meio às negociações por reajuste salarial, benefícios e condições de trabalho.
Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão melhorias na remuneração e nos benefícios. Também existem relatos de insatisfação relacionados à alimentação, segurança e condições encontradas no ambiente de trabalho.
O Sintiespav-MS (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada) participa das negociações entre trabalhadores e empresas envolvidas nas obras. Até a última atualização disponível, ainda não havia sido divulgado um acordo definitivo para encerrar a atual mobilização.
Paralisação ocorre no pico das obras
O movimento acontece justamente em uma das fases mais importantes do Projeto Sucuriú.
A previsão é de que aproximadamente 14 mil trabalhadores atuem simultaneamente no empreendimento durante o pico da construção em 2026. Desde o início da implantação, mais de 33 mil profissionais já passaram pelo processo de credenciamento, considerando a entrada e saída de equipes nas diferentes etapas do projeto.
A dimensão da mão de obra transformou a rotina de Inocência, município que tinha pouco mais de 8 mil habitantes antes da chegada do grande empreendimento industrial.
Além do impacto no mercado de trabalho, a obra ampliou a procura por imóveis, alimentação, transporte e outros serviços. Dados divulgados nesta quarta-feira (2) mostram que a receita de Inocência saltou de R$ 85,3 milhões para R$ 157,1 milhões na comparação entre os primeiros semestres, crescimento de 84%, impulsionado principalmente pelo Projeto Sucuriú.
Reivindicações não são novas
A atual paralisação ocorre pouco mais de um ano depois de outro movimento envolvendo trabalhadores da Opus Construtech.
Em junho de 2025, cerca de 250 funcionários que trabalhavam na construção de alojamentos suspenderam as atividades e cobraram o cumprimento de itens previstos no acordo coletivo.
Naquela ocasião, os trabalhadores reivindicavam, entre outros pontos, pagamento de horas extras com adicional de 70%, redução do período para folga de campo e antecipação de auxílios para permitir que funcionários retornassem às cidades de origem durante as folgas.
Após aproximadamente um dia de paralisação, trabalhadores e empresa chegaram a um entendimento e os serviços foram retomados.
As negociações trabalhistas também avançaram sobre salários e benefícios em 2025. A categoria conseguiu reajuste salarial de 6,19% e elevação do vale-alimentação de R$ 700 para R$ 900, além de outras condições negociadas entre trabalhadores e empregadores.
Agora, com a chegada de uma nova data-base, parte dessas discussões volta à mesa.
Megafábrica de US$ 4,6 bilhões
O Projeto Sucuriú representa investimento estimado em aproximadamente US$ 4,6 bilhões e está entre os maiores projetos industriais privados atualmente em execução no Brasil.
A fábrica está sendo construída em Inocência, região nordeste de Mato Grosso do Sul, e terá capacidade para produzir cerca de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano quando entrar em operação.
As obras já ultrapassaram 70% de execução, e o início das operações está previsto para o fim de 2027.
O empreendimento é considerado estratégico para consolidar Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais da indústria de celulose.
Quem está parado
Apesar de a paralisação ocorrer dentro do contexto das obras da fábrica da Arauco, os trabalhadores envolvidos no movimento não devem ser tratados como funcionários diretos da multinacional chilena.
Eles são contratados pela Opus Construtech, uma das empresas que presta serviços nas obras do Projeto Sucuriú.
Também não há confirmação de que todos os cerca de 14 mil trabalhadores previstos para atuar no empreendimento tenham aderido à paralisação. O número divulgado corresponde à estimativa de mão de obra simultânea durante o pico da construção, e não ao total de grevistas.
Até a última atualização, não havia sido informado oficialmente o número de funcionários que participam do movimento.
O desfecho das negociações entre trabalhadores, sindicato e empresas deverá definir a retomada integral das atividades atingidas pela paralisação.
