Mato Grosso do Sul fazia parte da estrutura logística de uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal por suspeita de transportar drogas e armas da Bolívia e do Peru para o Brasil. Segundo as investigações, o Estado era utilizado como um dos pontos de apoio terrestre das operações aéreas realizadas pelo grupo.
Ao lado de Mato Grosso e Tocantins, MS integrava uma espécie de corredor logístico responsável por dar suporte às aeronaves depois da entrada das cargas em território brasileiro. A estrutura contaria com pistas clandestinas e equipes em solo encarregadas de receber, armazenar e movimentar os entorpecentes.
O esquema é investigado na Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização especializada no transporte aéreo internacional de cocaína, além da possível movimentação de armas.
De acordo com a PF, o grupo funcionaria como uma espécie de prestador de serviços para outras organizações criminosas. Os investigados seriam responsáveis pelo planejamento dos voos, fornecimento das aeronaves, escolha de pistas clandestinas e montagem de equipes terrestres para receber as cargas mediante pagamento.
Entre os principais investigados está o piloto Márcio Rabello Mesquita Theodoro. Conforme o levantamento policial, ele teria participado de nove operações internacionais entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025.
A dimensão da estrutura investigada apareceu em fevereiro de 2025, quando o piloto foi preso após pousar um avião Cessna 210M em uma pista localizada na zona rural do Tocantins.
Dentro da aeronave, os policiais encontraram aproximadamente 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta-base, além de pequena quantidade de outra droga.
A investigação aponta ainda que a mesma rede logística poderia ser empregada no transporte de armas. Os voos partiriam de regiões da Bolívia e do Peru e utilizariam diferentes pontos do território brasileiro para desembarque e posterior distribuição das cargas.
Empresária foi presa durante operação
Em Cuiabá (MT), a advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, irmã do piloto investigado, chegou a ser presa preventivamente durante a operação.
Segundo a Polícia Federal, ela seria ligada ao núcleo financeiro e patrimonial do grupo e é investigada por suposta participação na movimentação e ocultação de recursos relacionados ao tráfico internacional.
Durante buscas realizadas na capital mato-grossense, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 84 mil em dinheiro, além de joias, relógio, telefone celular e um veículo.
Thatiana, no entanto, obteve liberdade concedida pela Justiça Federal dois dias depois. Ela nega envolvimento nos crimes investigados.
Ao todo, a Operação Bóreas cumpriu três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão. A Justiça também autorizou medidas de apreensão de aeronaves, bloqueio e sequestro de bens e valores.
A Polícia Federal ainda solicitou a inclusão de dez investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localização internacional de pessoas procuradas pelas autoridades.
