A disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul levou os partidos a destinarem cifras milionárias às campanhas femininas. Treze candidatas a deputada federal e estadual já arrecadaram, individualmente, mais de R$ 500 mil, somando R$ 14,15 milhões em receitas declaradas.
Desse montante, aproximadamente R$ 14 milhões têm origem no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e no Fundo Partidário. Na prática, cerca de 99% de todo o dinheiro arrecadado pelas 13 candidatas vem de recursos públicos.
Os dados constam das prestações de contas disponíveis no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e ainda podem sofrer alterações ao longo da campanha.
Entre as mulheres que disputam uma cadeira na Câmara dos Deputados, a maior arrecadação até agora é da deputada federal Camila Jara (PT), candidata à reeleição. Ela declarou R$ 2,35 milhões em receitas, sendo R$ 2,34 milhões provenientes do fundo eleitoral e R$ 10 mil de outras fontes.
Logo depois aparece a deputada estadual Mara Caseiro (PL), que neste ano tenta uma vaga na Câmara Federal. A campanha dela já recebeu R$ 1,52 milhão. O PL repassou R$ 1,5 milhão por meio do Fundo Eleitoral, enquanto os R$ 20 mil restantes são provenientes de recursos privados.
Outra candidata à Câmara com forte financiamento partidário é Rose Modesto (União Brasil), que declarou R$ 1,5 milhão. Todo o valor recebido por ela até o momento saiu do Fundo Eleitoral.
Dra. Clediane (PP) aparece na sequência, com R$ 1,2 milhão, integralmente bancados pelo FEFC. Luana Ruiz (PL) soma R$ 1,08 milhão, dos quais R$ 1 milhão foi repassado pelo partido por meio do Fundo Eleitoral.
Keliana Fernandes (PP) recebeu R$ 1 milhão para financiar a campanha. Giselle Marques (PT) já declarou R$ 945,5 mil, enquanto Isa Marcondes (Republicanos) acumula R$ 882,5 mil.
No caso de Isa Marcondes, R$ 832,5 mil foram repassados pelo Fundo Eleitoral e outros R$ 50 mil vieram do Fundo Partidário.
Fechando o grupo das candidatas à Câmara dos Deputados que ultrapassaram a marca de R$ 500 mil está Cassy Monteiro (PL), com R$ 500,2 mil em receitas. Desse total, R$ 500 mil são oriundos do Fundo Eleitoral.
Somadas, as nove candidatas a deputada federal relacionadas no levantamento acumulam aproximadamente R$ 10,98 milhões para financiar suas campanhas.
Disputa por vagas na Alems
Entre as mulheres que concorrem à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Dione Hashioka (União Brasil) lidera em volume de recursos. A candidata declarou R$ 986,6 mil.
Do total recebido por Dione, R$ 966,6 mil foram repassados pelo partido com recursos do Fundo Eleitoral. Outros R$ 20 mil vieram de fontes privadas.
Também pelo União Brasil, Bárbara Resende recebeu R$ 966,6 mil, integralmente provenientes do FEFC.
Já Ana Portela e Gianni Nogueira, ambas candidatas pelo PL, declararam R$ 605 mil cada uma. Nas duas campanhas, R$ 600 mil foram destinados pela legenda por meio do Fundo Eleitoral.
As quatro candidatas a deputada estadual que superaram R$ 500 mil em arrecadação concentram juntas cerca de R$ 3,16 milhões.
Cota de gênero influencia distribuição
O volume destinado às candidaturas femininas está relacionado às regras estabelecidas pela legislação eleitoral para garantir recursos às mulheres.
A parcela do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário destinada às candidaturas femininas deve acompanhar proporcionalmente o número de mulheres apresentadas pelos partidos na disputa nacional, respeitando o percentual mínimo de 30%.
A legislação, entretanto, não determina que o dinheiro seja dividido igualmente entre todas as candidatas. Cada partido pode estabelecer seus próprios critérios de distribuição, o que permite concentrar parcelas maiores dos recursos nas campanhas consideradas prioritárias ou mais competitivas.
As regras eleitorais determinam ainda que o dinheiro reservado às mulheres seja efetivamente aplicado no financiamento de candidaturas femininas.
Como a campanha eleitoral continua em andamento, os valores declarados ao TSE podem aumentar até o encerramento da disputa.
