Mato Grosso do Sul chega a 136,6 mil empresas negativadas, maior patamar da série da Serasa; em apenas um ano, quase 28 mil CNPJs entraram na inadimplência
A inadimplência empresarial atingiu um novo recorde em Mato Grosso do Sul. Em julho, 136.605 empresas estavam negativadas no Estado, crescimento de 25,7% em relação ao mesmo mês de 2025, quando 108.667 negócios apareciam nos registros de inadimplentes da Serasa Experian.
Em apenas 12 meses, 27.938 CNPJs passaram a fazer parte da lista de devedores, revelando uma deterioração expressiva da situação financeira das empresas sul-mato-grossenses.
O problema não está apenas no aumento do número de empresas com contas atrasadas. O tamanho da dívida também cresceu de forma acelerada.
Em julho deste ano, os negócios de Mato Grosso do Sul acumulavam 1,13 milhão de dívidas negativadas, que juntas alcançavam R$ 4,09 bilhões.
Um ano antes, eram 874.582 pendências, totalizando aproximadamente R$ 2,82 bilhões. Isso significa que o número de dívidas cresceu 29,2%, enquanto o valor devido avançou cerca de 45% em apenas um ano.
Quase R$ 30 mil por empresa
Os números mostram também que cada empresa inadimplente está acumulando mais compromissos financeiros.
A média chegou a 8,3 dívidas por CNPJ em julho, contra 8,0 no mesmo período de 2025.
Já o valor médio devido por empresa alcançou R$ 29,94 mil, ante R$ 25,95 mil no ano passado — aumento de 15,4%.
O ticket médio de cada dívida também subiu. Passou de R$ 3.225,85 para R$ 3.619,68, crescimento de 12,2%.
Na prática, os dados indicam que não apenas mais empresas estão ficando inadimplentes, como aquelas que já enfrentavam dificuldades passaram a carregar dívidas maiores.
Situação piorou até de junho para julho
O avanço da inadimplência também ocorreu na comparação mensal.
Em junho, Mato Grosso do Sul tinha 135.731 empresas negativadas. Um mês depois, eram 136.605, aumento de 0,6%.
O crescimento das dívidas, porém, foi mais acelerado.
O número de pendências passou de 1,11 milhão para 1,13 milhão, alta de 1,8%. Já o valor total devido saltou de R$ 3,98 bilhões para R$ 4,09 bilhões, avanço de 2,8% em apenas um mês.
A diferença reforça a pressão sobre o caixa das empresas: enquanto o total de novos CNPJs inadimplentes cresce de forma relativamente moderada na comparação mensal, o estoque financeiro das dívidas aumenta em ritmo bem maior.
Crédito caro ainda pesa
O recorde ocorre mesmo após o início do ciclo de redução da taxa básica de juros e em um cenário de desaceleração da economia.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, os cortes recentes da Selic ainda não produziram uma mudança estrutural nas condições de crédito.
A avaliação é de que as empresas continuam enfrentando custos elevados para financiar suas atividades ou renegociar compromissos, ao mesmo tempo em que a desaceleração econômica limita o crescimento das receitas.
A combinação de juros ainda altos, crédito caro e menor dinamismo das vendas dificulta a reorganização financeira e a regularização dos débitos.
Brasil também bate recorde
A situação de Mato Grosso do Sul acompanha um movimento nacional.
Em julho, o Brasil chegou a 9,2 milhões de empresas inadimplentes, também o maior número da série histórica da Serasa Experian.
Essas empresas acumulavam 67,2 milhões de dívidas, que juntas somavam R$ 238,6 bilhões.
Em Mato Grosso do Sul, o salto de R$ 2,82 bilhões para R$ 4,09 bilhões em dívidas empresariais em apenas 12 meses mostra que a inadimplência deixou de ser apenas mais disseminada: ficou também significativamente mais cara para quem tenta manter as portas abertas.
