Após anos de impasses envolvendo desapropriações e sucessivos atrasos, o Governo de Mato Grosso do Sul destinou R$ 5,59 milhões para viabilizar o pagamento de indenizações a proprietários de imóveis afetados pelas obras do novo acesso às Moreninhas, em Campo Grande. O repasse, oficializado por meio de convênio publicado nesta quinta-feira (25), busca destravar uma das principais pendências do empreendimento, que já está parcialmente concluído, mas ainda não cumpre integralmente sua função de melhorar a mobilidade na região sul da Capital.
O recurso, que será liberado em parcela única, totaliza R$ 5.595.780,88 e deverá ser utilizado exclusivamente para o pagamento dos proprietários dos imóveis atingidos pela obra. O acordo foi assinado na quarta-feira (24) pelo diretor-presidente da Agesul, Gil Marcio Franco, e pela prefeita Adriane Lopes, com vigência inicial de 12 meses.
A medida busca solucionar uma das principais pendências do empreendimento, considerado estratégico para melhorar a mobilidade urbana na região sul da Capital. Apesar de parte da estrutura já estar concluída e liberada para uso, o projeto ainda enfrenta obstáculos que impedem sua conclusão definitiva.
Em janeiro de 2023, a Prefeitura desapropriou 52 imóveis para abrir espaço à nova avenida. No entanto, atrasos nos pagamentos das indenizações levaram parte dos proprietários a recorrer à Justiça. Na época, a estimativa era de que as desapropriações custariam mais de R$ 10,5 milhões.
Ligação ainda incompleta
As obras da primeira etapa começaram em dezembro de 2022 e incluem pavimentação, drenagem, ciclovia, paisagismo e uma ponte sobre o córrego Lageado. Embora os serviços estejam praticamente finalizados desde 2024, a via ainda não cumpre integralmente a função para a qual foi projetada.
Isso porque a segunda fase do empreendimento, que prevê a conexão da Avenida Alto da Serra com a Rua Salomão Abdala, no Jardim Itamaracá, permanece sem execução.
Sem essa continuidade, a avenida termina em uma área sem conexão com a malha viária principal, impedindo que o corredor cumpra seu objetivo de criar uma alternativa de tráfego para milhares de moradores das Moreninhas e bairros vizinhos.
A expectativa é que, quando concluído, o novo acesso contribua para reduzir o fluxo de veículos em importantes corredores urbanos, como as avenidas Guaicurus, Costa e Silva e Gury Marques.
Custos aumentaram quase 30%
Além dos entraves relacionados às desapropriações, a obra também registrou aumento expressivo de custos. Em janeiro deste ano, o Governo do Estado autorizou um aditivo contratual de R$ 7,35 milhões para a primeira etapa dos trabalhos.
Com a alteração, o valor do contrato passou de R$ 41,33 milhões para R$ 53,24 milhões, representando um acréscimo de 28,8% sobre o orçamento inicial.
Na mesma ocasião, o prazo de execução foi ampliado em mais 240 dias. A previsão de conclusão, que antes era fevereiro de 2025, foi transferida para setembro deste ano.
A liberação dos recursos para as desapropriações é vista como mais um passo para destravar o projeto e permitir o avanço das próximas etapas da obra, aguardada há anos pelos moradores da região.

