Mulheres com idade entre 20 e 39 anos são as principais vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul. Dados do Dossiê Feminicídio, mantido pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), apontam que essa faixa etária concentra 54,4% dos casos registrados entre 2015 e 2026. No recorte de 2020 até este ano, elas continuam liderando as estatísticas, com 52,4% das ocorrências.
Nos últimos dez anos, o Estado contabilizou 360 assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero. Desse total, 195 vítimas tinham entre 20 e 39 anos. A segunda faixa etária com maior incidência é a de 40 a 49 anos. Outro dado que chama atenção é que mais de 90% das vítimas não tinham solicitado medida protetiva de urgência.
Entre 2025 e 2026, o perfil etário das vítimas apresenta uma leve mudança. Dos 53 feminicídios consumados no período, 24% tiveram como vítimas mulheres de 40 a 49 anos, índice mais elevado entre os recortes etários. Em seguida aparecem as mulheres de 20 a 29 anos, que representam 20,8% dos casos.
O levantamento também mostra que, de janeiro de 2015 a 19 de junho de 2026, 147 autores de feminicídio foram condenados em Mato Grosso do Sul. Além disso, 46 agressores tiraram a própria vida após assassinar a companheira ou ex-companheira.
Em relação à cor e etnia das vítimas, 24,7% eram pardas, 15,8% brancas, 6,4% indígenas e 2,2% negras. Em mais da metade dos registros, porém, a informação não foi preenchida, o que corresponde a 50,6% dos casos.
Até o momento, 12 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul em 2026. Para a coordenadora do Núcleo de Defesa das Mulheres (Nudem), da Defensoria Pública, Kricilaine Oksman, a violência estrutural contra a mulher está diretamente ligada à misoginia e à tentativa de controle sobre a autonomia feminina.
Segundo a defensora, mulheres entre 20 e 39 anos costumam estar em fase de consolidação da vida profissional, de ampliação da independência financeira e de fortalecimento de relações afetivas, o que pode desencadear reações violentas por parte de parceiros que não aceitam essa autonomia. Ela também destaca que o enfrentamento ao feminicídio exige ações permanentes de prevenção e mudança cultural, com participação de toda a sociedade.
