Reinaldo Henrique da Silva Pamplona, de 28 anos, suspeito de atropelar a comerciante Jamile Domingues, de 42 anos, e fugir sem prestar socorro, foi preso nesta terça-feira (5) em Timbó, Santa Catarina, após investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. O acidente ocorreu na madrugada de 14 de março, na Avenida Brilhante, e deixou a vítima com a perna esquerda amputada.
Mecânico e proprietário de uma oficina no Bairro Amambaí, Reinaldo era considerado foragido e tinha mandado de prisão em aberto. O caso ganhou grande repercussão devido à gravidade do atropelamento.
Jamile permaneceu internada em estado grave no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa após sofrer amputação da perna esquerda em decorrência do impacto.
Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a comerciante atravessava a Avenida Brilhante quando foi atingida por um veículo em alta velocidade. A violência da colisão fez com que parte da perna amputada fosse arremessada até a Travessa Ômega, a alguns metros do local do atropelamento, enquanto a vítima ficou caída na pista.
O resgate foi realizado por equipes do Corpo de Bombeiros Militar, que encaminharam Jamile para a Santa Casa antes mesmo da chegada da polícia. Devido aos ferimentos graves, ela passou por cirurgia e teve a perna amputada.
Segundo o marido da vítima, o comerciante Dorival Ribeiro, de 47 anos, o casal havia acabado de fechar a conveniência da família, no Jardim Tarumã, quando decidiu encontrar amigos em uma sobaria na Rua Brilhante, por volta da 1h.
“Um casal de amigos estava lá e chamou a gente para comer um sobá. Parei o carro, peguei na mão dela e fomos atravessar. Não tinha movimento nenhum. Quando estávamos quase chegando na calçada, percebi o carro, mas ele já estava em cima da gente”, relatou.
Dorival afirmou que os dois atravessavam a via de mãos dadas no momento do atropelamento e que Jamile foi atingida diretamente, sofrendo os ferimentos mais graves.
Após o acidente, o motorista fugiu sem prestar socorro. Inicialmente, testemunhas relataram que dois veículos trafegavam em alta velocidade e poderiam estar disputando racha na região.
Uma testemunha contou ao marido da vítima que os carros já estariam em alta velocidade desde a região do Hotel Vale Verde, na Avenida Afonso Pena. “Ela disse que desde lá eles estavam tirando racha. Segundo ela, os dois passaram muito rápido e não tentaram frear”, afirmou Dorival.
Apesar das suspeitas iniciais, a Polícia Civil informou que a hipótese de racha foi descartada durante a investigação. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da colisão por volta de 1h. Durante a perícia, uma peça da carroceria do veículo foi encontrada na via, ajudando na identificação do automóvel envolvido.
O carro, um Citroën C3, foi localizado na residência do suspeito e apreendido para perícia. Segundo o delegado Sam Ricardo Aranha Suzumura, titular da 6ª Delegacia de Polícia Civil, o veículo apresentava danos compatíveis com o atropelamento, como retrovisor quebrado e avarias no vidro do passageiro.
As investigações apontaram que Reinaldo dirigia em velocidade superior ao dobro do permitido na via. Para a Polícia Civil, a alta velocidade, a fuga sem prestar socorro e a saída do Estado configuram dolo eventual.
O caso foi enquadrado como tentativa de homicídio qualificado pelo uso de meio que dificultou a defesa da vítima, além de fuga do local do acidente.
Após a prisão, Reinaldo passou por audiência de custódia em Santa Catarina e foi encaminhado ao Presídio de Jaraguá do Sul, onde aguarda autorização judicial para transferência para Mato Grosso do Sul.

