A Polícia Federal (PF) apreendeu mais de R$ 200 milhões por ano ligados ao crime organizado em Mato Grosso do Sul, incluindo bens materiais como fazendas, automóveis, imóveis e objetos de valor, além de dinheiro em espécie recolhido durante operações realizadas no Estado.
Segundo dados da Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, as fazendas adquiridas com recursos ilícitos ou pertencentes a criminosos alvos de operações somam R$ 66,9 milhões, o equivalente a aproximadamente 25% do total apreendido.
Os veículos recolhidos foram divididos em dois grupos: pequeno porte, que inclui carros, motos, caminhonetes, furgões e similares, e grande porte, composto por caminhões, reboques, semirreboques, carretas, cavalos mecânicos e caminhões-tratores. O primeiro grupo totalizou R$ 57,1 milhões em apreensões, enquanto o segundo alcançou cerca de R$ 55,9 milhões.
Na sequência aparecem casas e sobrados, que somam R$ 31 milhões apreendidos. Outros bens também fazem parte da lista, como dinheiro em espécie, terrenos e lotes residenciais, apartamentos, salões e lojas comerciais, animais — entre bois e búfalos — e relógios de pulso. No entanto, os valores específicos desses itens não foram divulgados.
Durante a abertura oficial da 4ª Conferência de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cijud 2026), realizada na terça-feira, o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, destacou que o Estado figura entre os principais do País quando o assunto é retenção de patrimônios ligados ao crime organizado.
“Não tem mais como se falar em combate, enfrentamento ao crime organizado, sem falar da descapitalização das organizações criminosas. Bem como a recuperação desses ativos para que o próprio Estado invista na repressão e na prevenção ao crime e Mato Grosso do Sul se destaca nesse cenário. Nós temos um dos maiores números de apreensões de patrimônio, de valores, de bens do crime organizado em geral. Muito em razão da condição fronteiriça, mas também da realidade pujante do Estado na questão econômica”, afirmou.
Em nível nacional, a PF apreendeu R$ 9,5 bilhões em dinheiro e bens do crime organizado em 2025, crescimento de 46% em relação ao ano anterior, conforme balanço da corporação.
O montante inclui imóveis, veículos, aeronaves, joias e outros bens suspeitos de integrar patrimônios de organizações criminosas. Os valores registrados em Mato Grosso do Sul representam cerca de 2,2% do total apreendido no País no ano passado.
Uma das ações mais recentes da PF foi a Operação Barril 67, que desarticulou um esquema de tráfico de drogas e armas de fogo. Na operação, foram apreendidos celulares, computadores, documentos e veículos, incluindo um automóvel da marca Mercedes-Benz.
Em novembro do ano passado, havia sido divulgado que operações realizadas exclusivamente pela PF em Mato Grosso do Sul resultaram na retenção de R$ 146 milhões provenientes de atividades criminosas ligadas a facções atuantes no Estado.
Na ocasião, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo afirmou que 2025 foi um dos anos com maior número de operações contra facções criminosas em Mato Grosso do Sul.
O superintendente também ressaltou que o avanço das operações está relacionado à ampliação da integração entre forças estaduais e federais por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul, parceria que foi prorrogada até 2027.
“É importante enaltecer que nessas operações a gente reativou parcerias com as forças estaduais e com as forças federais. Então, nós temos a Ficco, da qual tanto está se falando hoje na mídia, em razão dessas ocorrências no Rio de Janeiro. É o modelo que o governo federal apresentou de união de esforços entre todas as forças estaduais e federais para combater o crime. Nós tivemos várias operações da Ficco e tivemos também operações integradas com a Receita Federal”, declarou.
