Em reunião com Riedel, Arauco anuncia que fará ferrovia de R$ 800 milhões

Durante reunião com o governador Eduardo Riedel nesta sexta-feira (10), em Campo Grande (MS), para receber a licença ambiental para instalação da fábrica de celulose em Inocência (MS) com investimento de R$ 28 bilhões, os executivos da Arauco anunciaram a aplicação de mais R$ 800 milhões para a construção de uma ferrovia de 47 quilômetros ligando a planta até à Ferronorte, que corta o município mais ao norte.

 

Eles ainda explicaram que no local de encontro com a Ferronorte será erguido um terminal de embarque porque a fábrica da Suzano, Ribas do Rio Pardo (MS), fará os embarques de sua produção no mesmo terminal.

 

A ferrovia será de uso exclusivo da Arauco e até vagões e locomotivas serão da empresa, sendo que, assim que a primeira fase da fábrica entrar em operação, com 2,5 milhões de toneladas por ano, vai escoar o equivalente a 50 mil toneladas por semana.

 

Depois de percorrer os 47 quilômetros pela nova ferrovia, a celulose será levada pela Ferronorte até o porto de Santos (SP), onde a Arauco promete construir um terminal de embarque próprio para escoar um navio por semana.

 

Segundo o governador, que assinou a Licença de Instalação ao lado dos executivos da empresa chilena e de toda a cúpula administrativa e política do município de Inocência, os chilenos prometem iniciar em julho deste ano as obras de terraplanagem e, em janeiro de 2025, já terão início os trabalhos de instalação da fábrica propriamente dita, com previsão de entrar em operação no começo de 2028.

 

O CEO da Arauco no Brasil, Calos Altimiras, revelou que a obra deve gerar 12 mil empregos no pico da instalação, mas, antes mesmo do início dos trabalhos no canteiro de obras, a empresa já está gerando em torno de mil empregos em Inocência e municípios da região nas atividades de plantio de eucaliptos.

 

Ainda de acordo com o executivo, atualmente a empresa já está com cerca de 210 mil hectares plantados e somente em 2024 devem ser mais 65 mil hectares. Para garantir produção para esta primeira fase, conforme Altimiras, serão necessários em torno de 300 mil hectares, enquanto na segunda fase terão de dobrar o volume de florestas.

 

Em média, o ciclo de crescimento até o corte dos eucaliptos se estende ao longo de sete anos e, justamente por isso, os plantios começaram ainda em 2021, bem antes da concessão de qualquer licença ambiental. Porém, as negociações e estudos para chegar a esta concessão de Licença da Instalação existem há cerca de uma década.