O número de armas de fogo registradas legalmente em Mato Grosso do Sul mais que triplicou nos últimos oito anos. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Estado passou de 12.023 armas com registro ativo em 2017 para 40.899 em 2025, um crescimento de 240,2% no período.
Apenas entre 2024 e 2025, o estoque de armamentos legalizados aumentou 3%, mantendo a tendência de expansão observada nos últimos anos. Os dados consideram os registros ativos no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), administrado pela Polícia Federal, incluindo armamentos pertencentes a cidadãos, empresas e instituições autorizadas.
A série histórica evidencia o avanço contínuo do número de registros. Em 2018, Mato Grosso do Sul contabilizava 12.575 armas registradas. O total subiu para 16.217 em 2019, alcançou 19.177 em 2020 e ultrapassou a marca de 24 mil em 2021.
Em 2022, o Estado registrou 24.799 armas legalizadas. No ano seguinte, houve um salto para 37.989 registros. Em 2024, o estoque chegou a 39.694 e, em 2025, atingiu 40.899 armas.
Embora o crescimento do número de registros não represente, por si só, aumento da violência, especialistas apontam que a ampliação do arsenal legal exige fiscalização permanente para evitar desvios decorrentes de furtos, roubos, comércio clandestino ou uso irregular.
Predomínio de armas curtas
Os dados mostram que pistolas e revólveres concentram a maior parte do arsenal registrado em Mato Grosso do Sul.
Entre pessoas físicas, são 29.216 pistolas e revólveres registrados, além de 11.048 espingardas e 11.273 rifles, carabinas e fuzis.
No caso das pessoas jurídicas, o levantamento aponta 6.027 pistolas, 3.655 revólveres, 445 espingardas, 392 rifles, fuzis e carabinas, além de 100 metralhadoras ou submetralhadoras registradas.
O perfil demonstra a predominância das armas curtas, enquanto as armas longas mantêm participação relevante, principalmente em atividades rurais, na segurança privada e em instituições autorizadas.
Mato Grosso do Sul está entre os dez estados com mais armas registradas
Com 40.899 armas registradas, Mato Grosso do Sul ocupa a 10ª posição no ranking nacional.
Os estados com maior número de registros ativos são:
- Minas Gerais – 185.619
- São Paulo – 149.562
- Goiás – 100.589
- Mato Grosso – 79.808
- Rio Grande do Sul – 58.251
- Paraná – 57.645
- Santa Catarina – 56.956
- Bahia – 54.370
- Rio de Janeiro – 49.169
- Mato Grosso do Sul – 40.899
Mesmo com população menor que a maioria dessas unidades da federação, Mato Grosso do Sul mantém um estoque expressivo de armas legalizadas. O cenário é influenciado por fatores como a forte presença do agronegócio, a extensa área rural e a faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia.
Mudança no controle dos CACs
Parte da expansão do mercado legal de armas está relacionada ao crescimento do número de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs), impulsionado pela flexibilização das regras de aquisição nos últimos anos.
Desde 1º de julho de 2025, a Polícia Federal assumiu a responsabilidade pelo registro, controle e fiscalização dos CACs, atribuição que anteriormente era exercida pelo Exército Brasileiro. A mudança ocorreu conforme previsto no Decreto nº 11.615/2023 e transferiu para a PF a gestão de mais de um milhão de certificados de registro em todo o país.
Em Mato Grosso do Sul, a discussão ganha relevância devido à extensa fronteira seca com Paraguai e Bolívia, considerada uma das principais rotas de entrada de armas, munições e drogas no Brasil.
Apreensões diminuíram em 2025
Enquanto o número de armas registradas continuou crescendo, o total de apreensões realizadas pelas forças de segurança apresentou queda.
Em 2024 foram apreendidas 591 armas de fogo no Estado. Em 2025, esse número caiu para 559, redução de 5,4%. A taxa passou de 12,7 para 12 armas apreendidas por 100 mil habitantes.
O indicador, no entanto, não permite concluir que haja menor circulação de armas ilegais, já que pode refletir mudanças nas estratégias das organizações criminosas, nas operações policiais ou na fiscalização.
Cenário nacional
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Brasil encerrou 2025 com cerca de 1,6 milhão de armas de fogo registradas no Sistema Nacional de Armas.
O levantamento destaca a importância do aperfeiçoamento dos mecanismos de controle, rastreamento e fiscalização dos armamentos legalizados, especialmente em estados de fronteira, onde o combate ao tráfico internacional de armas é considerado um dos principais desafios das forças de segurança pública.

