Mato Grosso do Sul entra em um período de atenção máxima para incêndios florestais em meio ao avanço expressivo das queimadas no Pantanal. Entre 1º de janeiro e 15 de julho deste ano, a área atingida pelo fogo no bioma passou de 6.762 para 58.878 hectares, um crescimento de 770,7% em comparação com o mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, os focos de calor aumentaram de 69 para 149 registros.
Os dados constam no boletim do Centro Integrado de Coordenação Estadual e do Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (Cicoe-PEMIF), elaborado com informações do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) e da Assessoria do Corpo de Bombeiros Militar.
O cenário preocupa porque coincide com a previsão de condições climáticas favoráveis à propagação das chamas. Entre esta sexta-feira (17) e a próxima quinta-feira (23), a previsão indica predomínio de sol, temperaturas máximas entre 34°C e 38°C, umidade relativa do ar variando de 10% a 30% e ausência de chuvas em todo o Estado.
Enquanto o Pantanal apresenta forte aumento das queimadas, os demais biomas registraram queda nos indicadores. No Cerrado, a área queimada diminuiu 44,5%, passando de 24.783 para 14.615 hectares, enquanto os focos de calor recuaram de 578 para 321. Já na Mata Atlântica, a área atingida pelo fogo caiu 12,7% e os focos reduziram 44,7%.
Desde o início do ano, o Corpo de Bombeiros Militar mantém equipes em atuação no Pantanal para ações de prevenção, preparação e combate aos incêndios florestais. Ao todo, 402 bombeiros militares já foram mobilizados para as operações na região.
Apesar da piora no Pantanal, o número de atendimentos a incêndios em vegetação em todo o Estado apresentou redução. Entre janeiro e 15 de julho deste ano, foram registradas 1.170 ocorrências, contra 1.405 no mesmo período de 2025, uma queda de 16,7%.
As projeções para os próximos meses, entretanto, mantêm o alerta. A previsão sazonal elaborada pelo Cemtec indica que, entre agosto e outubro, grande parte de Mato Grosso do Sul permanecerá com risco de fogo classificado entre os níveis de “Atenção” e “Alerta”. Nas regiões pantaneiras, além das áreas norte e nordeste do Estado, a expectativa é de risco ainda maior, enquadrado na categoria de “Alerta Alto” para incêndios florestais.