A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou nesta quinta-feira (23) que a transferência da operação do transporte coletivo urbano para a HP Mobilidade só será autorizada caso a empresa apresente um plano de investimentos que contemple a renovação da frota e melhorias na qualidade do serviço prestado à população.
Segundo a prefeita, a nova operadora precisará assumir compromissos concretos antes de receber o aval do Executivo municipal.
“Para entrar em Campo Grande, a empresa precisa apresentar uma proposta de mudança. Sem troca de ônibus, melhoria na prestação do serviço e instalação de ar-condicionado nos veículos, a autorização não será concedida”, declarou durante agenda pública.
De acordo com o diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Delegados (Agereg), Paulo da Silva, uma nova reunião entre representantes da administração municipal e da empresa goiana está prevista para a próxima semana.
Processo depende de aprovações
A negociação envolve a venda da concessão atualmente explorada pelo Consórcio Guaicurus. Antes da conclusão do negócio, a HP Mobilidade deverá obter autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por analisar operações empresariais dessa natureza.
Após essa etapa, a empresa deverá encaminhar à Prefeitura um plano de trabalho detalhando os investimentos previstos para Campo Grande. O documento servirá de base para a análise das exigências estabelecidas pelo Executivo, incluindo a renovação da frota e a melhoria do atendimento aos usuários.
A HP Mobilidade integra um grupo que já atua na operação do transporte coletivo em Goiânia e em regiões do Distrito Federal. Para a operação em Campo Grande, foi constituída a empresa de propósito específico Maas Administração e Participações Ltda.
Questões como a identidade visual dos veículos e uma eventual mudança no nome da operação ainda serão definidas. Segundo a Agereg, também não há previsão de reajuste na tarifa do transporte coletivo neste momento.
Mudança encerra ciclo do Consórcio Guaicurus
A possível venda marca o fim de quase 14 anos de operação do Consórcio Guaicurus à frente do transporte coletivo da Capital. Ao longo desse período, o sistema foi alvo de críticas recorrentes de usuários em razão da deterioração da frota, atrasos nas linhas e problemas na qualidade do serviço.
A situação ganhou maior repercussão após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara Municipal, que apontou sucessivos descumprimentos do contrato de concessão. Entre as irregularidades identificadas estavam a falta de renovação da frota, deficiência na manutenção dos veículos e falhas na prestação do serviço.
Os empresários do consórcio sustentam que houve desequilíbrio econômico-financeiro do contrato como justificativa para os problemas enfrentados. Entretanto, essa tese ainda não foi confirmada por decisão judicial. Em perícia homologada pela Justiça, foi apontado que o consórcio acumulou lucro de R$ 68 milhões até 2019, além de registrar crescimento patrimonial.

