O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal permanece internado na UTI da Santa Casa após ser submetido a uma angioplastia na quinta-feira (2). Diante do agravamento do quadro clínico, a defesa anunciou que ingressará com um novo pedido para que a prisão preventiva seja convertida em prisão domiciliar.
Bernal, preso desde março acusado de matar o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, passou por um procedimento para desobstrução de artérias coronárias, durante o qual foram implantados dois stents — dispositivos utilizados para manter os vasos sanguíneos abertos e restabelecer o fluxo de sangue ao coração.
Segundo familiares, o ex-prefeito já possuía outros quatro stents em razão de um histórico de doenças cardiovasculares e havia sofrido episódios anteriores de infarto. Ele faz uso contínuo de medicamentos para o coração.
A expectativa da defesa é utilizar o estado de saúde como fundamento para pedir que Bernal cumpra prisão domiciliar.
“Ele vai continuar internado até a semana que vem. Ainda precisa passar por outros procedimentos. O acesso aos remédios ele tinha, mas não sabemos se conseguia tomar corretamente, até pela situação no presídio. Ele precisa de um lugar onde possa receber acompanhamento e tomar as medicações nos horários adequados”, afirmou um familiar à reportagem.
Infarto ocorreu após decisão do STJ
Bernal sofreu um infarto na quarta-feira (1º), poucas horas depois de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar um pedido de liberdade apresentado pela defesa.
Segundo pessoas próximas ao ex-prefeito, a notícia da decisão judicial pode ter contribuído para o agravamento do quadro clínico, já que Bernal é cardiopata.
Preso por assassinato
Alcides Bernal está preso desde 24 de março, quando matou o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 60 anos.
De acordo com a investigação, o crime ocorreu em um imóvel no Jardim dos Estados que havia pertencido ao ex-prefeito e foi arrematado por Mazzini em leilão promovido pela Caixa Econômica Federal.
Na data do crime, a vítima foi ao local acompanhada de um chaveiro para tomar posse da residência. Conforme a denúncia, Bernal efetuou ao menos dois disparos, atingindo Roberto na região da costela e nas costas. Após o homicídio, o ex-prefeito se apresentou à polícia e foi preso.
Desde então, a defesa apresentou diversos pedidos de liberdade, todos rejeitados pela Justiça.
Na denúncia, os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia sustentam que Bernal agiu por motivo torpe, movido por vingança e inconformismo com a perda do imóvel.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o ex-prefeito não aceitava o resultado do leilão e acreditava ter direito sobre a casa, circunstância que motivou o assassinato.
O caso já foi pronunciado pela Justiça e Bernal será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
