O piloto Henrique Martins e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff morreram na manhã desta sexta-feira (3) após a queda de um avião de pequeno porte poucos minutos depois da decolagem no Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande. A aeronave seguia para Aquidauana, de onde a cientista partiria para mais uma etapa de suas pesquisas sobre tamanduás no Pantanal.
A tragédia interrompeu duas trajetórias marcadas pela dedicação. Henrique era apaixonado pela aviação e compartilhava frequentemente nas redes sociais registros de voos pelo Pantanal, por cidades de Mato Grosso do Sul e outras regiões do país. Além da profissão, também dividia com os seguidores momentos ao lado da esposa e da filha.
A morte do piloto comoveu amigos e colegas da aviação. O piloto Clauss Ferracini Mendonça, de Araçatuba (SP), relembrou o período em que trabalharam juntos e destacou o comprometimento de Henrique com a profissão.
“Recebi com muita tristeza a notícia do falecimento do Henrique. Ele voou comigo e me ajudou em procedimentos. Era um profissional capacitado, voava por instrumentos e amava o que fazia”, afirmou.
Segundo Clauss, Henrique construiu a carreira com esforço e perseverança.
“Ele trabalhava comigo na escola de aviação, limpava outros aviões e fazia de tudo para crescer na profissão. Até modelo fotográfico para minha loja de equipamentos aeronáuticos ele foi”, contou.
Conforme apurado pela reportagem, Henrique tinha menos de dez anos de experiência como piloto. Havia sido contratado pela empresa Amapil há cerca de um mês e, anteriormente, atuava como instrutor em uma escola de aviação.
Pesquisadora era referência em estudos sobre biodiversidade
Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, era mestre em Zoologia pela Universidade de Würzburg e cursava doutorado na Alemanha. Ela havia desembarcado no Rio de Janeiro e chegou a Campo Grande na quinta-feira (2), onde passou a noite antes de seguir para o Pantanal.
A pesquisadora integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu Zoológico Alexander Koenig, em Bonn, e também a CO.BRA (Computational Bioacoustics Research Unit). Seu trabalho era voltado à ecologia tropical, comportamento animal e monitoramento automatizado da biodiversidade, com pesquisas focadas especialmente nos tamanduás do Pantanal.
Aeronave caiu ao lado da pista
O avião decolou do Aeroporto Santa Maria na manhã desta sexta-feira com destino a Aquidauana, distante 141 quilômetros de Campo Grande. Pouco depois, a aeronave caiu em uma área de mata localizada à direita da pista, nas proximidades do Condomínio Atlântico.
Os destroços foram encontrados por um funcionário do hangar que iniciou buscas a pé logo nas primeiras horas da manhã.
Dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mostram que a aeronave, de matrícula PT-WYQ, é um modelo Neiva EMB-810D, fabricado em 1983, e estava com a documentação regular. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) é válido até 4 de junho de 2027.
O avião também possuía autorização para operar sob regras de voo por instrumentos (IFR), inclusive em voos noturnos, e não apresentava qualquer restrição financeira ou jurídica.
As circunstâncias da queda serão apuradas pelos órgãos responsáveis pela investigação de acidentes aeronáuticos.