A Polícia Civil apreendeu milhares de pacotes de salgadinhos que teriam sido desviados da Semalo, indústria alimentícia de Campo Grande pertencente ao presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen. As mercadorias foram encontradas nesta quinta-feira (10) em um depósito no Bairro São Conrado e em duas unidades de um estabelecimento comercial da Capital.
A apreensão faz parte da investigação sobre um esquema de desvio de cargas que teria provocado prejuízo de pelo menos R$ 500 mil à Semalo. Um ex-funcionário da indústria foi preso em flagrante no dia 24 de agosto, suspeito de participação na retirada irregular dos produtos.
Na primeira etapa da operação, equipes da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (DERF) já haviam localizado uma grande quantidade de mercadorias armazenadas sem documentação fiscal no imóvel do São Conrado.
Com o avanço das diligências, os investigadores identificaram que o endereço continuaria sendo utilizado para guardar produtos supostamente desviados. Durante nova vistoria, foram encontradas milhares de unidades da Semalo sem as respectivas notas fiscais.
A polícia também esteve em duas unidades de um estabelecimento comercial, onde localizou outros milhares de produtos da indústria. Segundo a investigação, as mercadorias estavam expostas para venda no atacado por valores abaixo dos normalmente praticados no mercado.
Os três endereços passaram por perícia. Todo o material foi apreendido para identificação e avaliação e deverá, posteriormente, ser devolvido à Semalo.
Desvios teriam ocorrido durante oito meses
Na primeira fase da investigação, o ex-funcionário preso em flagrante teria admitido envolvimento no esquema durante aproximadamente oito meses. Conforme as informações levantadas pela polícia, mais de 20 carregamentos podem ter sido desviados, em uma média próxima de uma carga por semana.
As mercadorias, segundo a apuração, saíam da indústria em caminhões terceirizados mediante o uso de ordens de carregamento adulteradas. Os produtos eram retirados sem a emissão da documentação fiscal correspondente e, posteriormente, revendidos a comerciantes por preços inferiores aos de mercado.
A Polícia Civil investiga a existência de uma estrutura organizada para retirar as cargas diretamente da Semalo, armazenar os produtos em outros endereços e depois distribuí-los para comercialização em Campo Grande.
As pessoas encontradas no depósito e nos dois estabelecimentos comerciais foram encaminhadas à DERF para prestar esclarecimentos. Os responsáveis pela compra e pela revenda das mercadorias também deverão ser intimados para interrogatório no decorrer do inquérito.
