Batalhão de Choque cumpre mandado no maior hospital de Mato Grosso do Sul; ação ocorre em meio à grave crise financeira e à suspensão de serviços
O Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagrou na manhã desta sexta-feira (11) uma operação relacionada à suspeita de desvio de dinheiro na Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul. Policiais militares do Batalhão de Choque foram mobilizados para o cumprimento de mandado dentro da instituição.
As equipes concentraram as diligências na região do Centro Médico da Santa Casa, com acesso pela Avenida Mato Grosso, na esquina com a Rua 13 de Maio. Pacientes que aguardavam atendimento no local foram dispensados e deverão ter as consultas remarcadas.
Até o início da manhã, ainda não haviam sido divulgados pela reportagem detalhes sobre os valores que estariam sob investigação, o período dos supostos desvios ou quem são os alvos específicos da apuração. A operação ocorre, porém, em um momento particularmente delicado para as finanças do hospital.
A Santa Casa enfrenta falta de insumos, atrasos nos pagamentos de profissionais e sucessivas interrupções de procedimentos. No começo de setembro, a instituição voltou a suspender cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais por dificuldades relacionadas à disponibilidade de materiais e à composição das equipes médicas.
A crise já vinha sendo acompanhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Em novembro de 2025, o MPMS ajuizou ação civil pública cobrando da Santa Casa, do Governo do Estado e da Prefeitura de Campo Grande um plano conjunto para regularizar os serviços contratados pelo SUS. Entre os problemas apontados estavam falta de medicamentos, próteses e materiais especiais, dificuldades na anestesiologia e superlotação do pronto-socorro.
Em dezembro do ano passado, um acordo de R$ 54,1 milhões mediado pelo Ministério Público permitiu o pagamento de profissionais que acumulavam mais de seis meses de atrasos e ajudou a manter os atendimentos. Mesmo assim, os problemas financeiros voltaram a se agravar ao longo de 2026.
A ofensiva do Gecoc acrescenta agora uma nova frente à crise da Santa Casa: além da disputa por recursos e do risco de interrupção de serviços, a movimentação financeira da instituição passa a estar no centro de uma investigação criminal sobre possíveis desvios.
A direção da Santa Casa ainda deverá se manifestar sobre a operação e sobre as suspeitas investigadas.
