Em menos de meia hora, temporal derrubou árvores sobre carros, destelhou prédios, danificou UPA, derrubou postes e deixou bairros sem energia; Capital continua sob alerta nesta sexta-feira
Um vendaval com rajadas próximas de 84 quilômetros por hora deixou um rastro de destruição em Campo Grande no fim da tarde de quinta-feira (10). A tempestade chegou por volta das 17h, acompanhada de chuva intensa e granizo, e precisou de poucos minutos para derrubar árvores, atingir veículos, arrancar coberturas, danificar prédios públicos, interromper o fornecimento de energia e tumultuar o trânsito em diferentes regiões da Capital.
A maior rajada registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) chegou a 83,88 km/h. A fase mais intensa da chuva durou cerca de 28 minutos, mas foi suficiente para espalhar prejuízos por bairros das regiões central, norte, sul e oeste da cidade.
Nesta sexta-feira (11), o trabalho é de levantamento dos danos e retirada de árvores e estruturas derrubadas. A Defesa Civil informou que a dimensão total dos prejuízos ainda não havia sido calculada e pediu que moradores comuniquem ocorrências para ajudar no mapeamento dos pontos mais atingidos.
Árvores caem sobre carros e bloqueiam avenidas
Um dos cenários mais recorrentes durante o temporal foi a queda de árvores. Ocorrências foram registradas em algumas das principais vias de Campo Grande, entre elas as avenidas Mato Grosso e Afonso Pena.
Na Avenida Mato Grosso, uma árvore de grande porte caiu sobre um Hyundai HB20 nas proximidades da Rua Frederico Soares, bloqueando parte da pista. Outros pontos também tiveram carros e motocicletas atingidos por galhos e troncos.
No estacionamento do Hospital Universitário, na Vila Ipiranga, uma árvore caiu sobre pelo menos quatro veículos — um Chevrolet Celta, um Volkswagen Voyage, um Fiat Palio e um Hyundai HB20.
O temporal também atingiu estruturas comerciais. Na Avenida Ernesto Geisel, na região do Guanandi, o letreiro de um atacadista despencou e ficou espalhado pela pista. A cobertura de um posto de combustíveis também sofreu danos com a força do vento.

Teto de UPA desaba
Na UPA Universitário, parte do forro da área de recepção desabou durante a tempestade. Vidros laterais também caíram e os pacientes precisaram ser retirados do local.
O forro atingido ficava justamente sobre a área destinada à espera dos usuários. Apesar do susto, as informações iniciais não apontavam pessoas feridas no episódio.

Vendaval arranca cobertura na Esplanada
Na região central, a força do vento provocou estragos na Esplanada Ferroviária.
Parte da cobertura da Plataforma Cultural foi arrancada, deixando a Galeria de Vidro exposta. Tapumes metálicos da obra do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul também foram derrubados e arrastados até a Avenida Calógeras.
Os objetos ficaram espalhados pela pista e prejudicaram o trânsito no cruzamento com a Avenida Mato Grosso.
A falta de energia ainda obrigou a Feira Central a encerrar as atividades mais cedo. Cabos energizados também fizeram com que uma área da Esplanada fosse isolada pela Guarda Civil Metropolitana para evitar acidentes.
Motorista fica presa sob fios de energia
Um dos momentos de maior tensão ocorreu na Avenida Afonso Pena, em frente ao Bioparque Pantanal.
Uma árvore caiu, derrubou um poste e espalhou cabos elétricos sobre um veículo. A motorista precisou permanecer dentro do carro enquanto aguardava a confirmação do desligamento da rede elétrica.
Ela não ficou ferida. Uma professora também foi atingida pelos fios na região, mas conseguiu sair do local.
Apagão e semáforos desligados
A tempestade também atingiu a rede elétrica e provocou falta de energia em diferentes regiões de Campo Grande.
Bairros como Amambai, Guanandi e Centro tiveram registros de interrupção no fornecimento. Na Avenida Mato Grosso, vários semáforos ficaram fora de funcionamento, complicando ainda mais o trânsito no horário de maior movimento.
Equipes da concessionária de energia e do município foram mobilizadas para retirar árvores, liberar ruas e atuar nos pontos onde a rede elétrica foi danificada.
Granizo e alagamentos
Além da ventania, moradores registraram queda de granizo em diferentes regiões da cidade. Também houve pontos de alagamento, entre eles no Carandá Bosque.
O temporal se formou rapidamente. Em questão de minutos, o céu escureceu e as rajadas de vento antecederam a chuva forte, surpreendendo motoristas e pedestres.
Apesar da quantidade de ocorrências e dos danos materiais, até as informações divulgadas após o temporal não havia confirmação de mortes nem de feridos graves diretamente provocados pela tempestade.
Alerta continua nesta sexta-feira
O risco ainda não terminou.
A Defesa Civil de Campo Grande mantém alerta laranja até as 22h59 desta sexta-feira (11). O aviso, baseado nas informações do Inmet, prevê possibilidade de chuva entre 30 e 60 milímetros por hora, podendo chegar a 50 a 100 milímetros no dia, além de ventos intensos.
O alerta também aponta risco de novas quedas de árvores, alagamentos, danos à rede elétrica e interrupção do fornecimento de energia.
A orientação é evitar permanecer próximo a árvores, placas, postes e estruturas metálicas durante rajadas fortes. Em caso de ocorrências, a Defesa Civil pode ser acionada pelo 199. Solicitações de serviços municipais, como retirada de árvores, podem ser encaminhadas pelo 156. Quando houver fiação elétrica envolvida e risco de choque, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193.
