O aporte emergencial de R$ 4 milhões destinado à Santa Casa de Campo Grande deverá ser repassado ao hospital em até 15 dias. Do total, R$ 3 milhões serão disponibilizados pelo Governo de Mato Grosso do Sul e outros R$ 1 milhão pela Prefeitura da Capital.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, os recursos serão utilizados principalmente para a compra de insumos e para evitar que novos serviços sejam afetados pela crise financeira enfrentada pela instituição.
A liberação do dinheiro integra o plano emergencial definido pelo poder público depois do agravamento da situação da Santa Casa, provocado, entre outros fatores, pelo desligamento de médicos que alegaram atrasos salariais de quatro meses.
A saída dos profissionais atingiu especialmente o setor de cirurgia cardíaca pediátrica. Com a falta de equipe, o hospital suspendeu novas internações nessa especialidade, considerada referência para pacientes de Mato Grosso do Sul.
Vilela afirmou que a Prefeitura mantém em dia os repasses previstos nos contratos e convênios mantidos com a Santa Casa. Segundo ele, o novo aporte tem caráter extraordinário e busca garantir condições para a continuidade da assistência.
A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a administração municipal acompanha a situação da instituição por meio da Secretaria Municipal de Saúde e mantém diálogo com o Governo do Estado e com a direção do hospital.
De acordo com Adriane, embora a gestão administrativa da Santa Casa seja de responsabilidade da própria instituição, o hospital exerce papel estratégico dentro da rede pública de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul.
“Nós pactuamos e temos um convênio com a Santa Casa, em que buscamos o serviço da Santa Casa, que é um braço de saúde pública de Campo Grande. Mas os nossos repasses estão em dia”, declarou.
A prefeita acrescentou que a equipe técnica do município vem oferecendo suporte dentro das possibilidades financeiras e buscando soluções conjuntas com o Estado para reduzir os impactos da crise sobre os pacientes.
Força-tarefa acompanha situação do hospital
Uma força-tarefa formada por representantes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e da Santa Casa passou a acompanhar de forma permanente a situação do hospital.
O grupo foi definido durante reunião realizada na quinta-feira (3) e prevê encontros técnicos frequentes para analisar os serviços oferecidos, os recursos disponíveis e as demandas consideradas mais urgentes.
Entre os pontos que deverão ser avaliados estão a organização dos leitos, a continuidade dos atendimentos e uma eventual redistribuição de recursos.
Também está em análise a possibilidade de determinados procedimentos serem contratados temporariamente junto a outros prestadores da rede de saúde, caso a Santa Casa não consiga manter toda a estrutura atualmente oferecida.
Como medida provisória, a Sesau também estuda acionar outros hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar excepcionalmente a oferta de vagas.
A estratégia deverá ser mantida enquanto a Santa Casa tenta recompor as equipes médicas e solucionar os problemas financeiros e trabalhistas que provocaram a redução de alguns atendimentos.
