A Santa Casa de Campo Grande voltou a alertar para o risco de interromper cirurgias de alta complexidade em razão da falta de recursos para a compra de medicamentos, insumos e materiais hospitalares. O posicionamento foi divulgado às vésperas da audiência de conciliação entre a instituição, a Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado, realizada na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.
Segundo a presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, o contrato firmado com o município enfrenta desequilíbrio econômico-financeiro há cerca de dois anos. Ela afirma que as negociações com os gestores públicos não resultaram em um acordo capaz de recompor os valores necessários para manter os serviços.
A diretora técnica do hospital, Patrícia Berg, também manifestou preocupação com a situação. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela informou que a instituição enfrenta dificuldades para adquirir materiais essenciais, medicamentos, órteses e próteses utilizados em procedimentos cirúrgicos.
De acordo com a médica, os setores mais afetados são os de ortopedia, neurocirurgia, cirurgia vascular e cirurgia cardíaca. Ela afirmou que o estoque de alguns materiais é suficiente para apenas uma ou duas semanas, o que pode comprometer a continuidade dos atendimentos caso não haja reposição.
Em nota, a Santa Casa reforçou que as dificuldades financeiras impedem a aquisição de insumos indispensáveis para a realização das cirurgias e atribuiu o problema ao desequilíbrio do contrato mantido com o poder público.
A instituição informou ainda que buscou solução na Justiça, que determinou a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. No entanto, segundo a direção do hospital, as decisões judiciais ainda não foram plenamente cumpridas, mantendo restrições no fluxo de recursos.
Alir Terra Lima ressaltou que a responsabilidade pelo financiamento dos atendimentos não pode recair exclusivamente sobre a Santa Casa, argumentando que os recursos da instituição são limitados diante da demanda.
Enquanto isso, Prefeitura, Governo do Estado e representantes do hospital participam de uma audiência de conciliação para discutir alternativas que garantam a continuidade dos serviços.
Em despacho publicado no Diário da Justiça, o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa acolheu pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e determinou que o Estado e o município apresentem, em até 15 dias, informações atualizadas sobre o cumprimento dos compromissos assumidos durante audiência realizada em 25 de junho.
