Desde o anúncio da decisão, autoridades brasileiras mantêm diálogo com representantes dos Estados Unidos na tentativa de reverter a classificação. Apesar das preocupações geradas pela medida, integrantes do governo federal avaliam que não há, neste momento, risco de operações militares americanas em território brasileiro.
Com a entrada em vigor da decisão, PCC e CV passam a integrar a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras dos EUA. Na prática, as facções deixam de ser tratadas apenas como grupos ligados ao narcotráfico e ao crime organizado, passando a ser alvo de instrumentos legais e operacionais voltados ao combate ao terrorismo.
A legislação norte-americana prevê punições para pessoas físicas e jurídicas que prestem qualquer tipo de apoio a organizações enquadradas como terroristas. O conceito inclui repasses financeiros, fornecimento de serviços, suporte logístico e outras formas de assistência.
A mudança também aumenta a vigilância sobre bancos e empresas que mantêm relações com o sistema financeiro dos Estados Unidos. Instituições poderão ser pressionadas a reforçar mecanismos de controle para evitar qualquer vínculo, direto ou indireto, com integrantes das facções ou empresas associadas a elas. Além disso, bens localizados em território americano ou submetidos à legislação dos EUA poderão ser bloqueados.
Outro efeito possível é a adoção de restrições migratórias. Pessoas identificadas pelas autoridades americanas como ligadas aos grupos podem enfrentar dificuldades para obter vistos ou ingressar nos Estados Unidos.
Apesar da nova classificação nos EUA, a legislação brasileira permanece inalterada. PCC e CV continuam sendo tratados como organizações criminosas no Brasil, sem qualquer mudança em seu enquadramento jurídico nacional.
Especialistas apontam que a medida pode trazer impactos econômicos e diplomáticos. Entre os principais riscos estão a ampliação da insegurança jurídica para empresas e instituições financeiras, além da possibilidade de pressões americanas sobre políticas de segurança pública adotadas pelo Brasil.
O diretor acadêmico do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Feliciano Guimarães, avalia que bancos e companhias brasileiras com ativos ou operações nos Estados Unidos podem enfrentar consequências caso investigações identifiquem movimentações relacionadas às facções.
Segundo o pesquisador, instituições financeiras que operam no mercado americano e empresas brasileiras com ações negociadas nos EUA podem ser alvo de sanções caso sejam detectadas transações vinculadas ao PCC ou ao CV.
Guimarães também alerta para possíveis dificuldades na cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado. Na avaliação dele, a nova classificação pode complicar o compartilhamento de informações entre órgãos brasileiros e americanos, afetando mecanismos de cooperação já existentes entre as autoridades de segurança dos dois países.

