De acordo com a pesquisa, os dias classificados como muito quentes, que atualmente representam cerca de 10% do calendário anual, poderão ocupar entre 23% e 28% do ano até 2060, dependendo dos cenários futuros de emissão de gases de efeito estufa.
O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores João Batista Ferreira Neto, Shi Shen, Raquel de Cássia Ramos e Gabriel Pereira. A análise comparou dados climáticos registrados entre 1991 e 2020 com projeções para o período de 2030 a 2060.
Além do aumento na quantidade de dias quentes, o estudo indica mudanças no comportamento das ondas de calor. Os eventos deverão ocorrer com maior frequência, durar mais tempo e se concentrar principalmente durante a primavera. Outubro aparece como o mês com maior incidência desses episódios nas projeções realizadas pelos cientistas.
Segundo os autores, fenômenos que atualmente são considerados raros ou extremos tendem a se tornar parte do padrão climático do Pantanal nas próximas décadas. A pesquisa aponta que a região caminha para um novo regime climático, caracterizado pela expansão da estação quente e seca.
Os pesquisadores alertam que essa transformação pode ampliar os desafios para a conservação da biodiversidade e para o controle de incêndios florestais, uma vez que períodos prolongados de calor e seca favorecem a ocorrência e a propagação do fogo no bioma.

