Um grupo de indígenas ocupou novamente a Fazenda Limoeiro, localizada em Amambai, na madrugada desta quarta-feira (17). A área já havia sido palco de um episódio semelhante em abril deste ano, quando integrantes da comunidade entraram na sede da propriedade e provocaram uma série de transtornos.
De acordo com informações apuradas no município, entre a noite de terça-feira (16) e a madrugada de quarta-feira, houve registro de danos materiais na sede da fazenda. Também foram relatados focos de incêndio em áreas de vegetação próximas, o que causou preocupação entre moradores da região.
A Polícia Civil confirmou a ocorrência e informou que equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram deslocadas para acompanhar a situação e atuar na retirada dos ocupantes, que permaneciam no local até a última atualização.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni, afirmou que acompanha o caso e defendeu critérios mais rígidos para o tratamento de propriedades alvo de ocupações. Segundo ele, áreas envolvidas em invasões não deveriam ter prioridade em eventuais negociações relacionadas a conflitos fundiários.
Bertoni também citou um episódio semelhante ocorrido em Antônio João e argumentou que discussões sobre regularização de terras devem seguir critérios técnicos, considerando, entre outros fatores, o tempo de duração dos conflitos. Na avaliação dele, propriedades recentemente ocupadas não deveriam integrar processos de negociação imediatos.
Histórico da disputa
A Fazenda Limoeiro já havia sido ocupada na noite de 25 de abril, quando cerca de 20 indígenas entraram na sede da propriedade. Na ocasião, moradores relataram que precisaram deixar o local às pressas. Também foram registrados danos à estrutura da fazenda e tentativas de destruição de maquinários.
Nos dias seguintes, novos episódios foram registrados. Três pessoas foram flagradas tentando bloquear a estrada de acesso à fazenda e à aldeia próxima. Posteriormente, seis suspeitos foram detidos pela polícia.
Em 27 de abril, outro grupo voltou a entrar na área, montou acampamento e ateou fogo em trechos de lavoura. Conforme relatos das autoridades, também houve registro do uso de lanternas e artefatos explosivos artesanais nas proximidades da divisa com a aldeia.
Durante uma das ações policiais, uma pessoa foi detida por equipes do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária. Com ela, foram apreendidos objetos como facão, faca, estilingue, lança de madeira, flecha metálica, porrete e cocos verdes, que, segundo os policiais, eram utilizados para comunicação entre os participantes da ocupação.

