A segunda fase da Operação Audácia, deflagrada nesta quinta-feira (16) pela Polícia Federal com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), teve como alvo um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Mato Grosso do Sul. Entre os investigados estão três policiais civis.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências dos agentes e também nas unidades policiais onde atuam, incluindo a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), em Dourados, a Delegacia de Polícia de Caarapó e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Campo Grande. As identidades não foram divulgadas.
Além disso, três mandados de prisão preventiva foram executados contra o advogado Rubens Dariu Saldivar Cabral, um funcionário ligado a ele e Renan Oliveira Freitas, de 34 anos, conhecido como “Saveirão”, morador de Dourados.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e três de prisão nas cidades de Dourados, Campo Grande, Caarapó e Fátima do Sul. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de R$ 18 milhões em bens dos investigados.
As apurações tiveram início em novembro de 2023, após a prisão de Rubens Saldivar com R$ 100 mil em espécie na região entre Ponta Porã e Dourados. A partir do flagrante, a investigação identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis e uma rede de pessoas ligadas ao advogado.
Na primeira etapa da operação, realizada em julho de 2025, foram apreendidos celulares, computadores e documentos em endereços ligados aos investigados. A análise do material coletado apontou novos indícios, que embasaram a nova fase da ofensiva.
Rubens Saldivar já havia sido preso anteriormente, em janeiro de 2025, após se envolver em um caso ligado ao transporte de drogas. Um veículo Audi A3, utilizado para levar mais de 21 quilos de pasta-base de cocaína, foi apreendido após perseguição na BR-163. Posteriormente, ao ser submetido a uma vistoria detalhada, a droga foi localizada escondida no automóvel.
Segundo as investigações, após retirar o carro do pátio, o advogado teria levado o veículo a uma oficina antes de repassá-lo a outro envolvido. Em seguida, os veículos foram interceptados pela Polícia Rodoviária Federal, que encontrou o entorpecente.
Os três envolvidos no episódio — o advogado e outros dois homens — foram presos em flagrante e, em outubro de 2025, condenados por tráfico de drogas e associação criminosa. As penas foram fixadas em regime fechado.
Em nota sobre a operação mais recente, a Polícia Federal informou apenas que há servidores públicos entre os investigados, sem detalhar funções. A Polícia Civil estadual afirmou que não comentaria o caso, por se tratar de investigação conduzida pela esfera federal.
Renan Oliveira Freitas, o “Saveirão”, também já havia sido preso em 2023 durante a Operação Akã. Ele é apontado como responsável por recrutar motoristas para o transporte de drogas escondidas em cargas legais, com destino a estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Na ocasião, também foi preso Izael de Souza Junior, conhecido como “Cabeça”, indicado como líder da organização criminosa, que utilizava Dourados como ponto de armazenamento e distribuição de entorpecentes vindos do Paraguai.

