O deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil-CE) apresentou voto favorável à suspensão, por 60 dias, dos parlamentares Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). A medida está relacionada a um episódio ocorrido em agosto de 2025, quando houve tumulto no plenário da Câmara dos Deputados durante um protesto de integrantes da oposição.
Segundo a representação analisada, os três deputados teriam dificultado o acesso do então presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), à Mesa Diretora, em meio à ocupação do espaço por parlamentares.
O ato foi organizado como forma de protesto contra decisões judiciais envolvendo investigados pelos atos de 8 de janeiro e para pressionar pela análise de propostas relacionadas ao tema. Durante a confusão, congressistas pediam a inclusão de matérias na pauta legislativa.
Ao justificar seu voto, o relator afirmou que o Parlamento precisa adotar medidas firmes diante de condutas que comprometam o funcionamento institucional. “A Câmara deve aplicar sanções para deixar claro que não admite esse tipo de comportamento”, declarou.
A apuração teve como base imagens do sistema interno da Câmara, utilizadas para identificar os envolvidos na confusão. De acordo com o documento, houve tentativa de impedir fisicamente o exercício das funções da presidência da Casa.
Em relação a Marcos Pollon, o relatório menciona ainda declarações ofensivas dirigidas ao presidente da Câmara em dias anteriores ao episódio, além da permanência na cadeira da presidência durante a ocupação do plenário, até a retomada dos trabalhos.
A representação foi protocolada por partidos e segue em tramitação. Outros pedidos envolvendo diferentes parlamentares também devem ser analisados, incluindo casos já encaminhados à Mesa Diretora.
Após o episódio, a obstrução parlamentar promovida pela oposição se estendeu por mais de um dia e terminou com a retomada das atividades legislativas. O grupo condicionava o fim do movimento à análise de propostas específicas.
Em defesa, Pollon afirmou que o processo tem motivação política. Segundo ele, não houve quebra de decoro, mas tentativa de silenciar parlamentares. “Não se trata de ética, mas de perseguição contra quem se posiciona”, declarou.
A votação do parecer está prevista para a próxima semana. Caso a suspensão seja aprovada, os deputados podem ficar temporariamente impedidos de exercer o mandato, com perda de prerrogativas como salário e estrutura de gabinete. A decisão final ainda depende de análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e posterior votação em plenário.

