O Instituto Veritá e o pré-candidato ao Senado, o deputado federal Marcos Pollon (PL), seguem divulgando dados de uma pesquisa eleitoral mesmo após decisão da Justiça Eleitoral que determinou a suspensão do levantamento.
O estudo, registrado em 13 de abril, foi impugnado por decisão judicial no dia 18 e teve a proibição reforçada em 23 de abril. De acordo com o juiz Vítor Luís de Oliveira Guibo, houve descumprimento deliberado da ordem.
“A decisão que determinou a imediata suspensão da divulgação da pesquisa MS-00490/2026, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, foi deliberadamente descumprida”, apontou o magistrado.
Nos últimos dias, o instituto passou a divulgar conteúdos citando decisões da Justiça Eleitoral, sem esclarecer que a autorização mencionada se refere a outro levantamento, vinculado a uma pesquisa registrada em março, e não à que foi barrada.
Na decisão mais recente, o juiz manteve a multa diária de R$ 5 mil em caso de novas divulgações e determinou o envio do caso à Procuradoria Regional Eleitoral, que deverá avaliar o descumprimento e adotar providências.
Defesa
Principal interessado nos dados questionados, Marcos Pollon afirmou, em nota, que as informações divulgadas por ele tiveram origem em conteúdo público disponibilizado pelo próprio Instituto Veritá em canais oficiais, além de ampla repercussão em veículos de imprensa.
O parlamentar alegou ainda que não faz parte do processo judicial e, por isso, não teria sido intimado nem teria obrigação legal de conhecer eventual restrição à divulgação.
Questionado sobre a exposição de eleitores a dados considerados irregulares, Pollon declarou que “não há qualquer injustiça na conduta adotada” e que seria equivocado atribuir irregularidade à sua atuação com base em interpretações fora de contexto.
As explicações, contudo, não esclarecem por que o deputado manteve a divulgação dos números suspensos, inclusive após duas decisões judiciais, como ocorreu na segunda-feira (27).
Sem retorno
A reportagem entrou em contato com o Instituto Veritá para comentar a continuidade da divulgação dos dados impugnados, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

