O juiz Márcio Alexandre Wust, da 6ª Vara Criminal de Campo Grande, condenou 21 integrantes de uma organização criminosa oriunda de São Paulo que atuava na exploração do jogo do bicho na Capital sul-mato-grossense. As lideranças do grupo receberam penas que chegam a 73 anos de prisão em regime fechado, enquanto 13 envolvidos com participação de menor grau tiveram penas inferiores a quatro anos, convertidas no pagamento de dois salários mínimos.
A decisão foi publicada em março deste ano e, em novo despacho divulgado nesta segunda-feira (4), o magistrado manteve as condenações. Houve apenas o acolhimento de embargo de declaração apresentado por uma mulher já absolvida no processo.
Segundo a sentença, o grupo era comandado por nomes como Ricardo Andrade Ferreira, condenado a 15 anos, 9 meses e 1 dia de reclusão; Odiney de Jesus Leite Júnior, a 13 anos, 1 mês e 23 dias; além de Jorge Luiz de Jesus Júnior, Caio Borgheti Rino Guimarães e Henrique Abraão Gonçalves da Silva, que receberam penas superiores a oito anos.
Os réus foram investigados na Operação Forasteiro, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em setembro de 2024. De acordo com as investigações, a organização pretendia assumir o controle da exploração do jogo do bicho em Campo Grande.
O caso se soma a outras ações da Justiça sul-mato-grossense contra grupos ligados à contravenção, incluindo organizações já condenadas em operações anteriores por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar.
Na decisão, o juiz destacou que as provas demonstram a existência de uma estrutura organizada, com divisão clara de funções entre os integrantes, incluindo comando, execução das apostas, recolhimento e administração de valores, além de mecanismos de ocultação de recursos.
“Os acusados são parte de uma organização estruturada, voltada à prática de contravenções e diversos crimes correlatos”, apontou o magistrado.
Além das lideranças, outros integrantes também foram condenados, com penas que variam entre cinco e seis anos de reclusão. Já os 13 réus com menor envolvimento tiveram as punições substituídas por sanções pecuniárias.
Todos os condenados podem recorrer da decisão.

