A Justiça estabeleceu em R$ 46.366,19 a remuneração mensal de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, gestor provisório da Santa Casa de Campo Grande. Considerando os seis meses inicialmente previstos para sua atuação, o pagamento total será de R$ 278.197,14.
Kanamura assumiu o comando do hospital no fim de setembro, após uma decisão judicial afastar 19 integrantes da diretoria e do conselho de administração em meio às investigações sobre suspeitas de corrupção na instituição.
A remuneração foi definida pelo juiz Luiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, a pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O magistrado considerou a solicitação pertinente porque a decisão que nomeou o gestor não havia estabelecido o pagamento.
“Defiro o pedido formulado pelo Ministério Público Estadual e fixo a remuneração mensal em favor do gestor provisório Luiz Alberto Hiroki Kanamura em R$ 46.366,19, considerando a natureza, complexidade e extensão das atribuições inerentes à função, a ser pago desde a data de sua nomeação como gestor”, determinou Trevisan.
O afastamento dos dirigentes foi ordenado em 24 de setembro. Além dos integrantes da diretoria corporativa e do conselho de administração, a medida atingiu a supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same). Na mesma decisão, Kanamura foi nomeado para administrar o hospital por 180 dias, prazo que poderá ser prorrogado por igual período, caso necessário.
Entre os diretores afastados estão Alir Terra, então diretora-presidente, que permanece presa; Heitor Miguel Scheibeler, presidente em exercício; Ivan Araújo Brandão, vice-presidente; Valdir Osvaldo Junior, diretor-secretário; Marcos Alceu da Silva Villalba, diretor de finanças; e Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, diretor de finanças adjunto, que também foi preso no início de setembro.
Os seis ex-dirigentes foram proibidos de retornar aos cargos em novas eleições e de acessar as dependências do complexo hospitalar e da Operadora Santa Casa Saúde Ltda.
A decisão também afastou do conselho de administração Heitor Rodrigues Freire, que assumiria a presidência da instituição. Sua chegada ao cargo havia sido anunciada em uma cerimônia realizada em 23 de setembro, um dia antes da determinação judicial.
Ao nomear Kanamura, Trevisan destacou sua capacidade técnica, independência e experiência, além do conhecimento sobre a estrutura e o funcionamento do hospital. Segundo o magistrado, a gestão provisória deve assegurar a continuidade da assistência, a aplicação adequada dos recursos públicos e a regularização administrativa e financeira da entidade.
As suspeitas de irregularidades são investigadas na Operação Antidotum, deflagrada em 11 de setembro pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Na ocasião, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). Três integrantes da alta cúpula do hospital estavam entre os presos, incluindo Alir Terra.
A investigação aponta possíveis desvios de aproximadamente R$ 4,9 milhões em dois contratos de digitalização de prontuários. As suspeitas envolvem um período em que a Santa Casa alegava enfrentar dificuldades para manter suas atividades em razão das dívidas.
