O comércio de Campo Grande projeta crescimento de 7,5% nas vendas relacionadas ao Dia das Mães, considerada a principal data do primeiro semestre para o varejo. A expectativa é que cerca de R$ 150 milhões circulem na economia local durante o período.
Levantamento realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), indica avanço nas vendas em comparação ao mesmo período do ano passado. A pesquisa ouviu consumidores das sete regiões da Capital e aponta mudanças no comportamento do público, exigindo adaptação por parte dos empresários.
Entre as principais transformações está a migração nos hábitos de consumo. Gastos antes voltados para alimentação em grande volume, como buffets e rodízios, agora são direcionados a segmentos como moda, estética e perfumaria.
Esse movimento também reflete um novo perfil das mães. Segundo o estudo, 32% das entrevistadas estão realizando algum tipo de tratamento de saúde ou voltado à obesidade, sendo que 24% fazem uso de медикаções de apoio.
De acordo com o economista e analista de mercado da CDL, Antônio Silva, o cenário exige atenção dos lojistas. “Há uma mudança clara nos hábitos. Modelos tradicionais focados em volume tendem a perder espaço. O momento favorece experiências personalizadas e produtos voltados à autoestima”, avalia.
A pesquisa aponta ainda que o valor médio gasto com presentes deve ficar entre R$ 250 e R$ 300. Os setores de moda e vestuário lideram a preferência, seguidos por cosméticos e estética. A gastronomia também aparece, mas com foco em experiências mais refinadas, com porções menores e maior qualidade.
Endividamento acende alerta
Apesar da expectativa positiva para o comércio, o cenário financeiro da população preocupa. Dados mostram que 71% dos consumidores economicamente ativos em Campo Grande estão endividados.
A Capital concentra 498,8 mil inadimplentes, com dívidas que somam R$ 4,75 bilhões. Em seguida aparece Dourados, com 107,7 mil pessoas negativadas e um total de R$ 913,5 milhões em débitos. Municípios como Três Lagoas e Corumbá também apresentam números expressivos, indicando que o problema é generalizado no Estado.
O levantamento revela ainda que a maior parte das dívidas está relacionada a bancos e cartões de crédito, representando 29,21% do total — categoria marcada por juros mais elevados. Na sequência aparecem serviços financeiros (19,06%) e contas básicas, como energia, água e gás, que correspondem a 15,09%.
Em Mato Grosso do Sul, aproximadamente 1,3 milhão de consumidores estão inadimplentes, o equivalente a mais da metade da população adulta. Ao todo, são 5,93 milhões de dívidas acumuladas, que somam R$ 10,55 bilhões.
O valor médio devido por pessoa chega a R$ 8.169,62, enquanto cada dívida tem média de R$ 1.779,36, demonstrando tanto o alto volume quanto a dispersão do endividamento no Estado.
