O ex-deputado estadual Neno Razuk foi transferido para o Centro de Triagem Anísio Lima, no Jardim Noroeste, em Campo Grande, na tarde desta segunda-feira (3), após ser preso na Bolívia. Ele é investigado por supostamente liderar uma organização criminosa responsável pela exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Após a detenção em território boliviano, Neno foi entregue à Polícia Federal e levado para Corumbá. Na manhã desta segunda-feira, passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) antes de ser conduzido por equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) até a Capital, onde permanecerá preso.
A prisão preventiva foi decretada pela Justiça em 6 de julho, após o ex-parlamentar perder o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) em decorrência da recontagem de votos realizada em maio. Com a cassação do mandato, ele também perdeu o foro por prerrogativa de função, permitindo o avanço das medidas cautelares solicitadas pelo Ministério Público.
Segundo a defesa, Neno Razuk havia deixado o Brasil antes da expedição do mandado de prisão e desconhecia a decisão judicial. Os advogados sustentam ainda que ele pretendia se apresentar às autoridades brasileiras, mas acabou preso quando retornava ao país. Durante o período em que permaneceu fora do Brasil, a Justiça solicitou a inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol.
Informações apontam que o ex-deputado estava na região de Santa Cruz de la Sierra desde o fim de maio, pouco depois de perder o mandato parlamentar.
Investigação sobre o jogo do bicho
Neno Razuk é um dos investigados na Operação Successione, deflagrada pelo Gaeco em dezembro de 2023 para desarticular uma organização criminosa apontada como responsável pela exploração do jogo do bicho em Campo Grande e outras regiões do Estado.
Na ocasião, dez pessoas foram alvo da operação, entre elas o então deputado estadual. As investigações indicam que o grupo teria assumido o controle da atividade ilegal após a antiga estrutura da organização.
O pai de Neno, Roberto Razuk, cumpre prisão domiciliar, enquanto os irmãos Rafael e Jorge Razuk permanecem presos. De acordo com o Ministério Público, Roberto Razuk comandou por anos a exploração do jogo do bicho na região sul de Mato Grosso do Sul, atividade que anteriormente era atribuída ao grupo liderado por Fahd Jamil, investigado em fases anteriores da mesma operação.

