O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, pode ser levado a julgamento pelo Tribunal do Júri pela morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini. Em alegações finais apresentadas à Justiça, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) afirma que há provas suficientes para que o caso seja analisado pelos jurados e sustenta que o crime foi praticado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
O pedido foi apresentado após a conclusão da fase de instrução do processo e reforça a tese de que Bernal agiu motivado pela inconformidade com a perda do imóvel, arrematado judicialmente por Mazzini após leilão.
Durante o interrogatório, o ex-prefeito admitiu ter efetuado os disparos, mas alegou legítima defesa. Para o Ministério Público, entretanto, a versão apresentada não encontra respaldo nos elementos reunidos ao longo da investigação.
Segundo os promotores José Arturo Iunes Bobadilla Garcia e Lívia Carla Guadanhim Bariani, a materialidade do crime e a autoria estão comprovadas por laudos periciais, depoimentos de testemunhas e pelo próprio relato do acusado.
Nas alegações finais, o MPMS afirma que Bernal foi ao imóvel armado e surpreendeu a vítima, impedindo qualquer reação. A acusação sustenta ainda que, após um primeiro disparo, o ex-prefeito efetuou um segundo tiro à curta distância quando Mazzini já estava caído.
Para os promotores, a conduta configura homicídio qualificado por motivo torpe, já que teria sido motivada pelo descontentamento do acusado com a perda da propriedade. O órgão também pede o reconhecimento das qualificadoras de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que Roberto Mazzini tinha mais de 60 anos, circunstância que pode resultar em aumento da pena em caso de condenação.
Disputa judicial terminou em morte
O caso teve origem em uma longa disputa pela posse de uma mansão pertencente a Bernal. O imóvel foi levado a leilão judicial em 2023. Sem interessados na primeira oferta, avaliada em R$ 3,7 milhões, a propriedade foi posteriormente arrematada por Roberto Mazzini por R$ 2,4 milhões.
Apesar da venda judicial, o ex-prefeito resistia à desocupação da residência, o que gerou sucessivos embates na Justiça.
No dia 24 de março deste ano, Mazzini entrou na propriedade acompanhado de um chaveiro para assumir a posse do imóvel. Conforme a investigação, Bernal monitorou a movimentação por câmeras de segurança e se dirigiu ao local, onde ocorreu o confronto que terminou com a morte do fiscal tributário.
Agora, caberá à Justiça decidir se o ex-prefeito será pronunciado e submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.

