Vander Loubet (PT) chega ao fim do sexto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados com 24 anos de atuação em Brasília e uma trajetória marcada mais pela articulação de recursos para Mato Grosso do Sul do que pela aprovação de projetos de grande repercussão nacional.
Eleito pela primeira vez em 2002, Vander renovou o mandato nas eleições de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Ao longo desse período, consolidou sua presença política principalmente por meio da destinação de emendas parlamentares para municípios, entidades e setores ligados à agricultura familiar, uma de suas principais bases eleitorais.
Entre os projetos apresentados pelo deputado está uma proposta para denominar como “Ponte Deputado Roberto Orro” a estrutura sobre o Rio Aquidauana, na BR-419, na divisa entre Aquidauana e Anastácio.
Outra iniciativa prevê a criação da chamada “Loteria da Saúde”, destinada a gerar recursos para o Ministério da Saúde investir na modernização e no fortalecimento dos serviços oferecidos pelos municípios.
Vander também conseguiu avançar na Câmara com o projeto que concede a Corumbá o título de “Capital do Pantanal de Mato Grosso do Sul”. A proposta foi aprovada pelos deputados e encaminhada para análise do Senado.
Emendas viraram principal ativo político
Mais do que pela produção legislativa, Vander passou a ser reconhecido pela capacidade de direcionar recursos federais para Mato Grosso do Sul.
Ao longo dos mandatos, as emendas ajudaram a estreitar a relação do petista com prefeitos e lideranças municipais, inclusive de partidos adversários. Essa rede de apoio ganhou importância neste ano, quando Vander deixou a disputa pela reeleição à Câmara para concorrer a uma vaga no Senado.
Parte dos apoios conquistados pelo parlamentar entre prefeitos do Estado está diretamente relacionada à presença constante de seu mandato na liberação de recursos para os municípios.
Dentro do PT, Vander também mantém um perfil considerado mais institucional e pragmático, com atuação menos vinculada à militância partidária e mais concentrada na negociação política e administrativa.
Alianças fora do PT
Esse perfil também aparece na relação próxima com lideranças de outros campos políticos, entre elas a senadora Tereza Cristina (PP), ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro.
Apesar das diferenças ideológicas entre os partidos, Vander e Tereza mantêm interlocução política em Mato Grosso do Sul, especialmente em pautas de interesse do Estado.
A aproximação reforça uma das características da trajetória do deputado: a disposição para construir alianças fora do campo tradicional da esquerda, estratégia que ampliou sua influência entre prefeitos, vereadores e setores econômicos, mas que também provoca questionamentos entre integrantes mais ideológicos do próprio PT.
Depois de 24 anos na Câmara, Vander chega à disputa pelo Senado sustentado principalmente por essa rede municipalista e pela força das emendas parlamentares, enquanto sua produção legislativa permanece menos conhecida do eleitorado.
