A tradição eleitoral de Mato Grosso do Sul não é generosa com deputados federais que tentam permanecer em Brasília. Nas últimas duas décadas, praticamente metade das oito cadeiras do Estado mudou de ocupante a cada eleição — e o cenário de 2026 indica novamente uma disputa apertada.
Dos oito atuais deputados, apenas Vander Loubet (PT) deixou a corrida pela Câmara para disputar o Senado. Os outros sete tentam sobreviver a uma eleição proporcional que reúne parlamentares experientes, ex-prefeitos, deputados estaduais e nomes ligados ao governo.
Em 2022, Marcos Pollon (PL) foi o mais votado da bancada, com 103.111 votos. Depois vieram Beto Pereira, com 97.872; Geraldo Resende, 96.519; Vander Loubet, 76.571; Camila Jara, 56.552; Dagoberto Nogueira, 48.217; Luiz Ovando, 45.491; e Rodolfo Nogueira, 41.773.
Quatro anos depois, porém, a matemática mudou. Beto Pereira está no Republicanos, Geraldo Resende migrou para o União Brasil e Dagoberto para o PP, enquanto Pollon e Rodolfo permanecem no PL e Camila Jara no PT. A lista oficial de candidatos confirma que os sete atuais deputados que permanecem na disputa buscam novo mandato.
Medalhões sob pressão
A maior dificuldade pode estar justamente nas chapas mais fortes. Na federação formada por União Brasil e PP, Geraldo Resende, Dagoberto Nogueira e Luiz Ovando precisam dividir votos com concorrentes competitivos, entre eles Rose Modesto e o ex-prefeito de Dourados Alan Guedes.
No PL, Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira também enfrentam uma disputa interna pesada. Levantamento espontâneo divulgado em agosto colocou Rodolfo com 2,1% e Pollon com 1,8%, enquanto outros nomes do partido também aparecem entre os mais lembrados.
Beto Pereira também não tem cadeira garantida. No Republicanos, divide espaço com Jaime Verruck, ex-secretário estadual que entrou oficialmente na disputa pela Câmara. A candidatura de Verruck já foi deferida pela Justiça Eleitoral.
Nesse cenário, Luiz Ovando, Dagoberto Nogueira e Beto Pereira aparecem entre os atuais deputados submetidos à maior pressão eleitoral, principalmente pela concorrência dentro de seus próprios grupos partidários. Pollon, apesar de ter sido o campeão de votos em 2022, também enfrenta uma chapa do PL bem mais congestionada.
Camila Jara chega em situação relativamente mais confortável. Na pesquisa espontânea mais recente citada na cobertura eleitoral, apareceu com 2,2%, atrás apenas de Rose Modesto e Mara Caseiro entre os nomes mais lembrados. Rodolfo Nogueira também aparece bem posicionado.
Isso, entretanto, está longe de significar eleição garantida. Cerca de sete em cada dez entrevistados no levantamento ainda não apresentavam espontaneamente um candidato válido, mostrando que a corrida para deputado federal permanece aberta.
Partido pode decidir quem fica de fora
A eleição para deputado federal não depende apenas da votação individual. O desempenho do partido ou da federação é decisivo para definir quantas das oito cadeiras cada grupo terá direito de ocupar.
Por isso, um candidato pode receber mais votos do que um adversário e mesmo assim ficar fora da Câmara caso sua legenda não alcance votação suficiente para conquistar a cadeira.
É justamente essa matemática que torna a eleição de 2026 perigosa para os atuais deputados. A entrada de nomes eleitoralmente fortes pode aumentar a votação das chapas, mas também elevar a disputa interna pelas vagas.
Se Mato Grosso do Sul repetir o padrão das últimas eleições, três ou quatro dos atuais deputados que buscam a reeleição podem não voltar a Brasília. Não se trata de uma previsão de resultado, mas de uma possibilidade compatível com o histórico de renovação da bancada e com a atual fragmentação da disputa.
Em 2022, quatro das oito cadeiras mudaram de mãos. Em 2018, cinco. Agora, com Vander já deixando uma vaga aberta, a eleição começa com pelo menos uma mudança garantida — e a história recente indica que dificilmente será a única.
