A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul criou um grupo de trabalho para fortalecer o combate às organizações criminosas e padronizar as investigações em todo o Estado. A medida, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (6), busca integrar inteligência, investigação e atuação operacional diante do avanço e da reorganização das facções criminosas.
A portaria foi assinada pelo delegado-geral Lupersio Degerone Lúcio e estabelece que o grupo terá a missão de elaborar um fluxo oficial de atuação entre os departamentos da Polícia Civil, ampliando a troca de informações, a gestão do conhecimento e a eficiência das investigações relacionadas ao crime organizado.
Segundo o documento, a iniciativa responde à necessidade de oferecer uma atuação institucional “uniforme, célere e tecnicamente qualificada” diante do crescimento das organizações criminosas e dos conflitos entre facções em Mato Grosso do Sul.
A diretriz também determina que os crimes ligados às facções deixem de ser analisados de forma isolada e passem a integrar uma estratégia investigativa mais ampla, permitindo identificar conexões entre ocorrências, integrantes e estruturas criminosas.
Atuação integrada
O novo modelo prevê a atuação conjunta das Seções de Investigações Gerais (SIGs), especialmente nas cidades do interior, com o apoio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e do Departamento de Inteligência Policial (DIP).
A proposta é fortalecer a integração entre as unidades, agilizar o compartilhamento de informações e tornar mais eficiente o planejamento das operações contra as organizações criminosas.
A criação do grupo ocorre em um momento de intensificação das ações de segurança pública no Estado. Desde que o governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em 5 de junho, as forças de segurança vêm ampliando as medidas de enfrentamento às facções que atuam em Mato Grosso do Sul.
Grupo terá representantes de cinco departamentos
Os trabalhos serão coordenados pelo delegado-geral adjunto, Márcio Rogério Farias Custódio, e contarão com representantes dos principais setores da Polícia Civil:
- Departamento de Inteligência Policial (DIP);
- Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco);
- Departamento de Polícia Especializada (DPE);
- Departamento de Polícia do Interior (DPI);
- Departamento de Polícia da Capital (DPC).
Plano de ação
Entre as propostas que deverão ser apresentadas pelo grupo estão a regulamentação da atuação das SIGs e das delegacias regionais, a criação de protocolos de integração com o Dracco e o DPE, a centralização da análise de dados digitais relacionados às facções, o monitoramento em tempo real de boletins de ocorrência ligados à macrocriminalidade e a definição de regras para comunicação prévia entre unidades antes da realização de operações policiais.
O grupo terá prazo inicial de 60 dias para concluir os trabalhos e apresentar um relatório com as propostas de aperfeiçoamento. O período poderá ser prorrogado, caso seja necessário.
