A queda de um avião de pequeno porte na última sexta-feira (3), que matou o piloto Henrique Martin de Carvalho, de 42 anos, e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, colocou em evidência o histórico de ocorrências aeronáuticas em Mato Grosso do Sul. De acordo com dados do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer), o Estado já registrou 18 ocorrências em 2026 entre acidentes e incidentes envolvendo aeronaves.
O levantamento, coordenado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), aponta que oito dessas ocorrências foram classificadas como acidentes e dez como incidentes. Até a tragédia registrada na sexta-feira, nenhuma delas havia provocado mortes.
O primeiro acidente considerado grave do ano ocorreu em janeiro, no município de Deodápolis. Um avião modelo RV-10 LSA, que havia decolado do Aeroporto Teruel, em Campo Grande, com destino a uma fazenda da região, sofreu perda de controle durante o pouso após colidir com a vegetação próxima à pista. A ocorrência foi enquadrada como colisão com obstáculo durante pouso e excursão de pista.
Ainda em janeiro, um avião Cessna precisou realizar um pouso de emergência em Corumbá depois que o motor perdeu potência logo após a decolagem do aeródromo da Fazenda São Miguel. A aeronave seguia para a Fazenda Santa Helena do Pantanal com um piloto e um passageiro.
O registro mais recente antes da tragédia aconteceu em 26 de junho. Um Cessna que partiu do Aeródromo Estância Santa Maria, em Campo Grande, com destino a uma fazenda em Rio Verde de Mato Grosso, apresentou perda de potência do motor durante o voo. O piloto realizou um pouso forçado em uma área de lavoura, no município de São Gabriel do Oeste.
Os demais acidentes registrados neste ano ocorreram em Aquidauana, Antônio João, Campo Grande, Taquarussu e Corumbá. Em Antônio João, por exemplo, um avião que transportava o piloto e cinco passageiros precisou pousar de emergência em uma plantação de milho após perda de potência do motor durante um voo entre Porto Murtinho e Ponta Porã.
Além dos acidentes, o Estado contabiliza dez incidentes aeronáuticos em 2026. Essas ocorrências, embora não resultem em vítimas ou danos graves, representam situações que comprometem a segurança operacional.
O caso mais grave entre os incidentes ocorreu em Ponta Porã. Segundo o Sipaer, uma aeronave procedente de Santo Antônio de Leverger (MT) pousou no aeroporto da cidade sem que o piloto verificasse previamente o aviso de que a pista estava interditada. O relatório também aponta que não houve comunicação com a rádio local, expondo a risco o piloto e os três passageiros.
Os demais incidentes foram registrados em Corumbá, Ivinhema, Ponta Porã e Campo Grande, envolvendo situações como perda de controle no solo, incursão em pista, falhas de motor, problemas em sistemas da aeronave e operações em baixa altitude.
As investigações de todas as ocorrências seguem em andamento no Cenipa. Ao término dos trabalhos, serão divulgados relatórios finais com a identificação das causas e recomendações para prevenção de novos acidentes.
