O número de casos de fraude eletrônica segue em alta em Campo Grande. Somente entre 1º de janeiro e 12 de junho de 2026, foram registrados 4.809 boletins de ocorrência relacionados a golpes virtuais na Capital, um crescimento de 29,1% em comparação com o mesmo período de 2025, quando houve 3.724 registros.
Os golpes são aplicados de diferentes maneiras. Entre os mais comuns estão as ligações de falsos gerentes de banco, mensagens enviadas por criminosos que se passam por parentes com número novo de telefone e falsas promessas de liberação de valores judiciais mediante pagamento antecipado de taxas.
Um dos casos que chamou a atenção envolveu um idoso de 83 anos, que perdeu aproximadamente R$ 393,9 mil após acreditar que conversava por telefone com o gerente de sua agência bancária. Os golpistas tinham informações pessoais da vítima, o que transmitiu credibilidade durante a ligação. Eles ainda tentaram contratar um empréstimo em nome do idoso, mas a operação acabou sendo bloqueada pelo banco.
Segundo o delegado Leandro Azevedo, titular da 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, idosos estão entre os principais alvos dos criminosos. Um dos golpes mais recorrentes contra esse público é o falso empréstimo consignado.
De acordo com o delegado, os estelionatários costumam se apresentar como representantes de instituições financeiras e solicitam o pagamento antecipado de taxas ou utilizam contratos fraudulentos para obter acesso aos recursos das vítimas. Ele ressalta que os métodos empregados pelos criminosos mudam constantemente, tornando as fraudes cada vez mais sofisticadas.
Para reduzir o risco de cair em golpes, a principal orientação é desconfiar de qualquer contato não solicitado. Conforme explica Azevedo, bancos não costumam ligar para clientes solicitando confirmação de dados, senhas ou realização de transferências. Sempre que houver qualquer dúvida, o recomendado é interromper a conversa e procurar diretamente os canais oficiais da instituição financeira.
Outro alerta é em relação ao senso de urgência criado pelos golpistas. Promoções imperdíveis, contas supostamente vencidas, bloqueios de serviços e promessas de ganhos financeiros rápidos são estratégias utilizadas para pressionar a vítima a agir sem verificar a autenticidade das informações.
O delegado também reforça que o fato de um criminoso possuir dados pessoais da vítima não significa que o contato seja legítimo. Informações como nome, CPF e telefone circulam com facilidade em bancos de dados obtidos ilegalmente e são frequentemente utilizadas para dar aparência de veracidade aos golpes.
Caso a vítima realize uma transferência via Pix para criminosos, a recomendação é comunicar imediatamente o banco para solicitar o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada pelo Banco Central para tentar bloquear os valores transferidos antes que eles sejam totalmente movimentados.
Além disso, é fundamental registrar um boletim de ocorrência e preservar todas as provas disponíveis, como conversas, comprovantes de transferência, capturas de tela e números de telefone utilizados pelos golpistas. Segundo a Polícia Civil, quanto mais informações forem apresentadas, maiores são as chances de identificar os responsáveis e auxiliar nas investigações.