A bactéria Salmonella continua entre os principais agentes causadores de doenças transmitidas por alimentos no Brasil e pode provocar desde quadros leves de gastroenterite até infecções graves que necessitam de internação hospitalar. Para reduzir os riscos de contaminação, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS) reforça a importância dos cuidados com a higiene e a manipulação adequada dos alimentos.
Essa bactéria pode ser sido a causa da morte da ex-deputada Graziele Machado.
Segundo a assessoria da família, Grazielle começou a passar mal na terça-feira (23), quando estava com o marido.
Ela apresentava inchaço no rosto e falta de ar. Diante do agravamento dos sintomas, foi levada ao Hospital da Cassems, em Campo Grande, onde permaneceu internada.
De acordo com a assessoria da família, Grazielle foi internada com um quadro de infecção intestinal e suspeita de salmonela.
No entanto, durante a madrugada, o estado de saúde piorou e ela não resistiu.
Não. A família informou que aguarda o resultado de exames para confirmar oficialmente a causa da morte.
Até a última atualização desta reportagem, não havia laudo médico conclusivo sobre o que provocou o óbito.
Segundo a gastroenterologista Carla Moura, a infecção ocorre, na maioria das vezes, pela ingestão de alimentos ou água contaminados. Os sintomas mais comuns incluem diarreia, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos.
“Na maior parte dos casos, a doença é leve e tem resolução espontânea, mas é importante que a população saiba reconhecer os sinais que indicam a necessidade de procurar atendimento médico”, explica.
Entre os alimentos mais associados à transmissão da bactéria estão ovos crus ou mal cozidos, maionese caseira, carnes mal passadas — especialmente de aves —, leite e derivados não pasteurizados, vegetais crus mal higienizados e alimentos manipulados de forma inadequada após o preparo.
Cuidados devem ser redobrados em festas e eventos
A especialista destaca que ambientes com grande produção de refeições, como restaurantes, festas e eventos, exigem atenção especial.
“Nesses locais, é preciso redobrar os cuidados com carnes, ovos, saladas, molhos e alimentos expostos. Quando muitas refeições são preparadas simultaneamente, aumentam as chances de falhas na higiene e no armazenamento”, afirma.
Ela acrescenta que surtos de doenças transmitidas por alimentos costumam ser mais frequentes em períodos de calor, férias e datas comemorativas, quando cresce o consumo de refeições preparadas fora de casa.
Contaminação cruzada é uma das principais causas
De acordo com Carla Moura, um dos principais mecanismos de transmissão da Salmonella é a chamada contaminação cruzada, quando microrganismos presentes em alimentos crus são transferidos para alimentos prontos para consumo.
Um exemplo comum é utilizar a mesma tábua para cortar frango cru e preparar uma salada sem higienizar o utensílio. A transmissão também pode ocorrer quando a pessoa manipula alimentos contaminados e não lava as mãos antes de tocar outros alimentos.
Por isso, a higienização correta das mãos, utensílios, equipamentos e superfícies é considerada uma das medidas mais eficazes para evitar a infecção.
Quando procurar atendimento médico
Embora a maioria dos casos seja tratada apenas com hidratação e cuidados de suporte, alguns sintomas exigem avaliação médica imediata.
Entre os principais sinais de alerta estão febre persistente, sangue nas fezes, dor abdominal intensa, desidratação e dificuldade para ingerir líquidos. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com baixa imunidade também merecem atenção especial, pois apresentam maior risco de complicações.
Segundo a gastroenterologista, em situações mais graves, a bactéria pode atingir a corrente sanguínea, aumentando o risco de desidratação severa e sepse.
“Os quadros de intoxicação alimentar não devem ser banalizados. Embora a maioria evolua bem, alguns pacientes podem precisar de hidratação venosa, antibióticos e acompanhamento hospitalar”, ressalta.
Além da Salmonella, outras bactérias e parasitas, como Escherichia coli, Campylobacter, Shigella e Giardia, também podem causar sintomas semelhantes, e muitos casos acabam não sendo diagnosticados por falta de exames específicos.
Como prevenir a infecção
- Lavar as mãos antes de preparar e consumir alimentos;
- Higienizar corretamente frutas, verduras e legumes;
- Cozinhar completamente carnes, aves e ovos;
- Evitar ovos crus ou mal cozidos;
- Consumir leite e derivados pasteurizados;
- Manter separados alimentos crus e alimentos prontos para consumo;
- Higienizar utensílios e superfícies após o contato com carnes cruas;
- Armazenar os alimentos sob refrigeração adequada;
- Redobrar os cuidados ao consumir alimentos em festas, eventos e estabelecimentos com grande fluxo de pessoas.

