A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) notificou oficialmente a Santa Casa de Campo Grande para que apresente esclarecimentos e um plano de ação corretivo após a identificação de uma série de problemas considerados graves no atendimento prestado pela unidade hospitalar.
A medida foi tomada após uma inspeção realizada na noite de quarta-feira (10) por equipes da Gerência de Controle e Avaliação da Sesau e do Núcleo de Apoio Especial à Saúde (Naes), vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Durante a vistoria, foram constatados superlotação em setores de emergência, insuficiência de anestesistas e cancelamentos recorrentes de cirurgias sem justificativas apresentadas aos pacientes.
No documento encaminhado ao hospital, a prefeitura solicita explicações sobre a baixa utilização do centro cirúrgico, o bloqueio de leitos, a superlotação do pronto-socorro e a demora na realização de cirurgias ortopédicas. A administração municipal também cobra medidas concretas para solucionar os problemas apontados.
Segundo a Sesau, está em andamento a articulação de um plano de contingência com o Hospital Adventista do Pênfigo para absorver parte da demanda de procedimentos ortopédicos represados. A efetivação da medida depende do envio de informações por parte da Santa Casa.
Durante a inspeção, foi verificado que apenas quatro salas cirúrgicas estavam em funcionamento devido à falta de equipes de anestesia para manter a operação das demais estruturas. Outro ponto crítico identificado foi a situação da Ala Vermelha, que concentrava 83 pacientes em um espaço projetado para apenas seis pessoas.
As equipes também registraram retenção de macas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros, já que muitos pacientes permaneciam sem local adequado para acomodação após a chegada ao hospital.
Além disso, pacientes relataram ter aguardado vários dias por procedimentos previamente agendados, permanecendo em jejum prolongado e enfrentando sucessivos adiamentos das cirurgias. Para o Ministério Público, o cenário observado caracteriza uma grave crise assistencial e exige medidas emergenciais por parte dos gestores públicos e da própria instituição.
Posicionamento da Santa Casa
Em nota, a Santa Casa afirmou que a distribuição das equipes e o funcionamento das salas cirúrgicas seguem critérios técnicos e variam conforme a demanda ao longo do dia. O hospital argumenta que a redução do número de salas abertas em determinados horários não representa diminuição da capacidade de atendimento, uma vez que equipes e infraestrutura permanecem disponíveis para casos de urgência e emergência.
A instituição informou ainda que realizou 5.203 cirurgias entre março e junho deste ano, sendo mais de mil procedimentos executados fora do horário comercial. Segundo o hospital, a estratégia busca otimizar recursos e adequar a capacidade operacional à procura por atendimentos.
A Santa Casa também voltou a atribuir parte das dificuldades ao desequilíbrio econômico-financeiro enfrentado pela instituição, alegando insuficiência de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para custear serviços de alta complexidade. Apesar das limitações, o hospital afirma que continua recebendo diariamente pacientes encaminhados pela regulação municipal e permanece aberto à fiscalização e ao diálogo com os órgãos de controle.
